“Mãe de Santo”, espetáculo on-line interpretado pela atriz Vilma Melo, primeira atriz negra vencedora do prêmio Shell em 2017, reposiciona o lugar da mulher negra na sociedade, mas sobretudo, enaltece o poder de matrigestão que essas mulheres exercem dentro e fora de seus terreiros.

A peça, traz um posicionamento firme e de orgulho das histórias contadas e passadas por gerações e documentando como as mulheres afro-brasileiras são diálogos, corpos sagrados e que utilizam o homem como complemento de suas narrativas e vivências.

Escrito por Renata Mizrahi, a partir dos textos e relatos de Helena Theodoro, além da direção geral do cineasta Luiz Antônio Pilar, peça faz temporada no YouTube do Sesc, de 2 a 25 de julho, sextas, sábados e domingos, sempre às 19h.

“Mãe de santo” representa para mim as mil possibilidades da mulher preta, que dá asas à sua imaginação seja mostrando musicalidade, poesia, espiritualidade, habilidade e maternidade desde muito tempo. Ser mãe de santo é ser mãe do mundo, cuidando de gente de ontem, seus ancestrais ou de hoje, preservando o mundo para um amanhã mais pleno. Mãe de santo é mulher que se orgulha de suas histórias e identidades, entendendo que nada é mais profundo do que a pele preta”, afirma Helena Theodoro.

“Mãe de Santo” é para além do arquétipo, das vestimentas e acessórios característicos da religião. A peça traz essas mulheres que também vivenciam o particular. Ou seja, são pessoas que possuem tristezas, perdas, felicidades, medos, angústias e papéis importantes na sociedade. Apesar de estereotipadas, essas figuras religiosas são plurais e , muitas vezes, sem o acolhimento que necessitam, ressignificam suas histórias em prol do viver individual e do coletivo existentes nas comunidades que lideram.

No traço da materialidade, as mães podem ser vistas como depósitos para desenvolvimento de outros seres, onde se gera, cria e educada com intuito de integrar a sociedade. Já na não materialidade o espetáculo aborda a mulher é cabaça, que contém e é contida por representar a vida. A ancestralidade dessas mulheres pretas empodera o cotidiano, os estudos, a família, a carreira profissional – a posição social e ainda fortalece o enfrentamento do racismo diário.

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