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A Menina que Matou os Pais & O Menino que Matou Meus Pais possuem narrativas complementares

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 Filmes vão revisitar a história sob dois pontos de vista diferentes.

Um dos casos criminais mais conhecidos do Brasil foi o assassinato de Manfred Albert Von Richthofen e Marísia Von Richthofen, assassinados pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos sob a ordem de Suzane von Richthofen,  filha do casal. O caso ganhou palco em todos os jornais e portais de notícia do país na época, tornando Suzane a maior psicopata brasileira. Quase vinte anos após os homicídios, a adaptação do caso para o cinema chega na Amazon Prime Vídeo em duas versões: A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais, aliás, ambas possuem narrativas complementares.

Desde o anúncio dos longas houve, certamente, muita curiosidade pelo fato de serem dois filmes sobre a mesma história, além da preocupação de serem apenas a cópia um do outro tornou-se o principal questionamento quanto a produção. Originalmente, o longas seriam lançados no cinema, contudo, devido a pandemia da Covid-19, a estreia foi sendo adiada até o estúdio decidir fazer o lançamento em streaming, aliás, melhor solução, em virtude dos valores dos ingressos.

A trama narra como Daniel e Suzane se conheceram, se apaixonaram e como seu relacionamento era um problema para o casal von Richthofen, já que a diferença de classe entre as famílias era muito grande. Ambos os filmes seguem exatamente a mesma estrutura de roteiro, afinal, são a mesma história sobre o ocorrido, sobre diferentes pontos de vistas. O que muda são pequenos detalhes permeados pela visão de quem os conta.

Quando Daniel (Leonardo Bittencourt) dá seu depoimento no tribunal ele narra os fatos sob a sua ótica, e o mesmo acontece com Suzane (Carlas Diaz), porém os personagens falam de forma diferente, eles agem diferentes, ainda que apenas nos detalhes. Essa similaridade com mudanças sutis, contribui muito para a proposta do filme. Proposta essa que é contar os fatos sem expor de qual lado a produção está.

A Menina que Matou os PaisEssa intenção artística é muito válida, pois há uma explosão de roteiros baseados em crimes reais, a maioria apelando para o emocional e a estética do que seguir os fatos verdadeiros. A dificuldade de fazer isto neste caso é que o espectador já vai assistir o filme tendendo a ir contra Suzane, porém olhando bem friamente, a versão de Daniel do caso é mais tangível que a dela. Ainda que a direção de Maurício Eça tente ao máximo se abster de opinião, existe, sim, uma narrativa preferencial no caso. E exatamente por essa razão que o resultado geral dos longas é negativo, porque não importa qual versão seja assistida primeiro, A Menina que Matou os Pais será melhor aceita. Ser fiel aos fatos é uma tarefa árdua e nobre, entretanto a ficção existe para melhorar a realidade. E falta ficção neste roteiro.

Além disso, o roteiro carece de um argumento maior para sua existência do que apenas narrar duas histórias sobre óticas diferentes. E este saldo negativo é uma pena, pois tanto a atuação de Leonardo quanto Carla são excelentes. Carla Diaz consegue encarnar muito bem uma jovem problemática, uma menina inocente de família rica e uma psicopata sob a pele de santa.

Ao final, é possível dizer que é uma proposta cheia de potencial, mas a história pede, certamente, mais drama, além disso, pede também que o roteiro se envolva mais, que vá além de narrar fatos e preencher lacunas com soluções que apenas criam uma sucessão de diálogos maçantes. Claramente, é possível ver apenas um filme ou outro, porém ambos se complementam em alguns detalhes e a experiência é completa se dá ao verem os filmes juntos.

 

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