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“Indivíduo e comunidade em Spinoza”, de Alexandre Matheron, será lançado pela FGV Editora

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"Indivíduo e comunidade em Spinoza",Em 1968, a obra de Alexandre Matheron, que traça uma abordagem original ao pensamento do filósofo holandês Spinoza, teve sua primeira publicação, sendo reeditada, em 1988, pela Éditions de Minuit de Paris, agora “Indivíduo e comunidade em Spinoza” chega agora na versão em português pela FGV Editora. A riqueza do livro está alicerçada em um paradoxo, pois pretende atender aos mais exigentes parâmetros objetivistas e racionalistas da disciplina austera à qual pertence: a História da Filosofia.

Matheron acrescenta à sua abordagem outros parâmetros, cujo objetivismo e racionalismo radicais fogem à boa parte dos preceitos que costumam imperar sobre as práticas da simples interpretação de textos. É uma obra complexa e profunda, permeada não só pelas sutilezas do conhecimento que disseca e divulga, mas também por uma sofisticação de linguagem essencial à consecução dos seus objetivos.

Como Guéroult e Deleuze, Matheron pratica uma leitura genética da obra de Spinoza. Contra a tendência ensaística frequente entre os intérpretes (sobretudo na época), trata-se de decifrar os recursos próprios do texto para elucidar o sentido da obra. As intuições subjetivas, as hipóteses aventadas a esmo, os hábitos de leitura exclusivamente consolidados pela autoridade da tradição do comentário são rechaçados.

Para Matheron, o sistema filosófico elaborado por Spinoza e a verdade descoberta aos poucos pelo seu pensamento, à medida que vem intensificando a compreensão que ele tem de si mesmo, são duas coisas distintas. O método do autor almeja dar voz e prioridade sistemática a este Spinoza que se torna spinozista. A verdade spinozista, isto é, o pensamento geneticamente compreendido e perfeitamente desenvolvido do ponto de vista da unidade orgânica, da densidade demonstrativa, tem um valor que, para Matheron, ultrapassa, e muito, o simples interesse filológico ou histórico. Tal verdade é a própria chave de decifragem da realidade.

Em virtude deste princípio geral de análise, o comentador reorganiza a estrutura fatual do texto segundo a ordem genética de suas razões e diretrizes. E não hesita em emendar demonstrações que, a seu ver, permaneceram incompletas. Nem em preencher o que, de acordo com a lógica do pensamento spinozista, enquanto unidade orgânica total perfeita, parece ser uma falha pontual ou uma lacuna anormal nas demonstrações efetivamente produzidas no texto. Concretamente, ao invés de explicar o texto sob a batuta de sua ordem factual e, portanto, ao invés de partir da metafísica de Spinoza, Matheron, em nome da verdade do pensamento acabado e completo do filósofo, parte da doutrina do conatus.

“Indivíduo e comunidade em Spinoza”, tem tradução da engenheira Martha de Aratanha, do professor Baptiste Grasset e do professor Emanuel Rocha Fragoso. Está disponível exclusivamente em formato digital no site da FGV Editora e demais plataformas de vendas de ebook.

Para marcar este lançamento, será promovido um webinar, no dia 30 de setembro, às 18h, com a participação da engenheira Martha de Aratanha e dos professores Baptiste Grasset, Homero Santiago, Carlos Wagner Benevides Gomes, Wandeilson Miranda e Alex Leite. A mediação será do professor Emanuel Rocha Fragoso. O debate será transmitido pelo Canal FGV no Youtube.

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