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“A menina AKILI e seu tambor falante” busca reforçar a autoestima e cultura afro-brasileira

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Akili“O sol anda devagar, mas atravessa o mundo inteiro”, o provérbio africano que orienta o pensamento de Verônica Bonfim metaforiza sua alegria pela estreia do espetáculo infantil “A menina Akili e seu tambor falante”, idealizado e com direção artística, produção associada, texto e músicas assinados por ela.

Ainda que aos poucos, obras de autores negros estão conquistando seu espaço e chegando ao público, como é o caso da própria Verônica, cujo livro homônimo lançado em 2016 pela Editora Nandyala Livros chega agora adaptado aos palcos.

O musical narra a história de Akili, uma menina africana que vive numa pequena aldeia chamada Adimó e que junto com seu melhor amigo, um tambor falante de nome Aláfia, seguirá numa jornada para se tornar uma Griote, uma contadora de histórias, guardiã da tradição oral do seu povo.

A peça é uma aventura conduzida por uma narrativa que valoriza a ancestralidade e os valores civilizatórios africanos, apresentando uma África plural, cheia de riquezas, com uma diversidade de povos, línguas, cores e, sobretudo, positiva, para contrapor ao que é comumente retratado pela cultura ocidental.

Instrumento ancestral de comunicação oral, o tambor é personagem central da peça. “É ele quem anuncia a partida e a chegada, quem nos leva de volta para casa, seja na Bahia, Minas Gerais, Cuba ou África… O tambor que foi ‘demonizado’ na cultura ocidental, recebe na história o status que merece. Pulsando as batidas do coração, ele é um guia da menina Akili e é tocado por várias mulheres durante o espetáculo, pois também quero trazer essa discussão: o lugar de meninas e mulheres é onde elas quiserem, inclusive tocando tambor. É um espetáculo feminino, onde a matripotência é representada por todas as mulheres que estão em cena”, sublinha.

O espetáculo brincante é permeado por uma miscelânea de linguagens com uma trilha executada ao vivo, a partir de pesquisa sobre sonoridades africanas do Grupo Dembaia e dança, a partir da direção de movimento de Valéria Monã, uma referência da dança Afro no Brasil. Elementos que estarão em cena para expandir as referências positivas da negritude, fortalecendo o protagonismo negro por meio do encantamento, da empatia e da valorização da identidade.

A história sobre amor, afeto, amizade, laços e valorização do feminino e das raízes ancestrais é ainda uma homenagem à Mãe África com toda a riqueza e beleza que reside no continente, em toda a sua pluralidade.

Considerando a questão da construção da autoestima e desconstrução do auto ódio na população negra, falar sobre referências negras é ponto crucial do texto. “Estamos falando de e para um público que precisa crescer amando a sua imagem e a dos seus semelhantes e não se odiando. Estamos falando de um país com 54% da população autodeclarada negra, de um público em formação e que queremos ver crescer. Estamos falando para e sobre essas famílias que precisam se ver representadas nas histórias infantis, para acreditar numa possibilidade de resgate da beleza, força, potência e sabedoria que lhes foi negada/roubada”, encerra.

A montagem estreia dia 16 de outubro às 16h no YouTube do Oi Futuro. O público também vai poder assistir à transmissão do espetáculo no bistrô do Oi Futuro, sempre às 14h e 16h aos sábados e domingos, a partir do dia 17 de outubro.

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