Fernando Arrabal
Foto: Bob Sousa

Com assinatura do grupo Garagem 21, peça espanhola de Fernando Arrabal, escrita em 1967, discute os caminhos do totalitarismo e o confronto entre civilização e barbárie, em montagem com traços distópicos. “O Arquiteto e o Imperador da Assíria” é uma das peças fundamentais da reflexão sobre o pós-guerra e o totalitarismo que culminou no confronto.

Após temporada com lotação completa (mas reduzida pela pandemia) no Centro Cultural São Paulo, o texto de Fernando Arrabal, será exibido ao público entre 28 de outubro e 7 de novembro, de quinta-feira a domingo, às 20h, pelo Vimeo.

Situada em uma ilha deserta, a peça se inicia com um desastre aéreo que leva seu único sobrevivente a entrar em contato com um nativo que jamais teve contato com outro ser humano. A partir dessa interação, o sobrevivente busca impor ao outro suas ideias de cultura e civilização.

Aliás, o diretor reforça que o ponto central da encenação é abordar como determinados modos da narrativa, que representam uma visão da realidade, servem a um projeto totalitário de poder que se pretende salvador, mas que, para exercer essa ideia de salvação, constrói a destruição do outro, do divergente, seja por meio de crimes diretamente executados por agentes do Estado ou por diversos mecanismos de coerção e perseguição.

“Trata-se de uma necropolítica, do constante retorno a modos de tratar o outro como inimigo, seja por aspectos morais, religiosos, econômicos, políticos, raciais, sexuais ou afins. O poder de agentes, intra ou extra Estado, de determinar quem é útil ou inútil a determinada sociedade e dispor sobre sua vida e sua morte. Esse princípio de aniquilação do outro visando a um suposto bem comum, sempre excludente, é característica de toda ditadura e de uma civilização em estado de guerra contra sua própria população, solidificando a barbárie como aspecto do cotidiano”, conclui.

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