Esculturas em cerâmica instalam manobras de questionamento sobre as relações humanas.

Thelma InneccoA exposição “Uns sobre os outros: História como corpo coletivo” , de Thelma Innecco, usa o barro para refletir a humanidade e também um ato de resistência. A mostra apresenta cerca de 20 obras inéditas da artista plástica Thelma Innecco organizadas em três ambientes, que refletem o ser humano em episódios da memória coletiva, tecendo comentários estéticos sobre as relações humanas, através de movimentos transversais ao tempo histórico.

“Afetos calorosos – coletivos e individuais – comungam do espaço com corpos serializados, eximidos de particularidades. Tal associação nos aproxima uns dos outros, nos faz recordar memórias íntimas, resgatando em nós o sentido de uma humanidade em curso”, revela a crítica de arte Ana Emília Lobo, doutora em Arte e Cultura Contemporânea pela UERJ, que assina a curadoria da exposição.

Thelma Innecco conta que a primeira obra da série “Uns Sobre os Outros” foi “Empilhadinhos” e que seu significado representa bem a exposição como um todo. “A peça Empilhadinhos mostra múltiplos corpos, horizontais, empilhados uns sobre os outros e essa série reflete as desigualdades, fragilidades e desamparos humanos, expondo nossas próprias faltas, num tema aberto às diversas interpretações, já que correlatos em qualquer cidade do mundo. Um ato de resistência e de preservação de memória representado pela delicadeza das esculturas que arrebatam nossos afetos”, explica a artista.

“Uns sobre os outros: História como corpo coletivo” também apresenta um curta-metragem realizado em colaboração entre Thelma Innecco e a cineasta inglesa Caren Moy. “Em outra clave, são localizados na obra os movimentos contemporâneos globais, como o Black Lives Matter, em que a destituição de estátuas civilizatórias deu lugar a marchas vívidas de memória e humanidade. Em digressões sobre a cidade do Rio de Janeiro, a lógica das esculturas se torna inseparável da lógica do monumento. Celebrados como marcos civilizatórios, os atos bárbaros monumentalizados são lembrados apenas como contraponto ao uso dos espaços comuns” explica Ana Emília Lobo.

Além disso, em um terceiro espaço, o público é convidado à participação. Conduzidos por monitores, os visitantes poderão criar suas próprias esculturas humanas para integrar a mostra.

“Uns sobre os outros: História como corpo coletivo” fica ambientada na CASA FRANÇA BRASIL até 23 de janeiro de 2022. A exposição já esteve em Belo Horizonte no espaço Funarte MG em outubro deste ano.

A exposição foi selecionada pelo Prêmio Funarte Artes Visuais 2020/2021 – O Diálogo entre o Patrimônio Histórico da cidade do Rio De Janeiro e o Brasileiro presente nas Artes Visuais, na Arquitetura e nos Espaços Urbanos.

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