Qual é o seu papel como comunicador, como uma pessoa com acesso a esta matéria online, na luta daqueles que, por vezes, não são permitidos de exercerem o seu direito de ter voz? Na palestra “Invisíveis” que aconteceu no último dia da XX Bienal do Rio de Janeiro, os convidados Caco Barcellos, Juliano Spyer, Rene Silva, Erika Hilton e o mediador Edu Carvalho, debateram sobre como ajudar a potencializar as maiorias minorizadas. Através de cada um de seus trabalhos, os convidados, certamente, dão vazão a quem deve ser escutado em cada canto do país, sendo pontes para diálogo em um momento de polarização.

Apesar da tempestade que caiu no Rio de Janeiro ter provocado uma pausa, devido a uma queda de energia, em uma conversa tão enriquecedora, após ser retomada e ao longo de todo o bate papo, os convidados trouxeram o embate das “Maiorias Minorizadas”, ou seja, aqueles que são referenciados como minoria por meios tradicionais de mídia mas que, na realidade, representam a maioria em seus círculos. Ao serem questionados sobre quem seriam esses grupos, cada um teve uma resposta: Erika Hilton trouxe a questão de o Brasil ser composto de inúmeras invisibilidades e trouxe como exemplo as comunidades prisionais, os indígenas e as mulheres trans. Caco Barcellos citou as pessoas que sobrevivem com menos de dois salários mínimos, Juliano Spyer trouxe a questão das periferias e Rene Silva citou o povo preto como parte do invisível brasileiro.

Acerca do papel de cada um na luta contra essa invisibilidade, a maior força citada é a fazer a sua parte diariamente e promover aliados. Rene destaca essa luta, “A gente não consegue resolver todos os problemas, mas dá pra diminuir o sofrimento humano”. Erika trouxe também a importância da resiliência nessa batalha diária: “Resistir é confrontar, é existir, resgatar os lugares que nos foram tomados e lutar para se manter viva”.

A mesa finalizou a palestra trazendo uma possibilidade positiva em relação às muitas lutas que ainda serão tidas ao longo dos tempos para recuperar e ressignificar tanto o que foi perdido, inclusive símbolos nacionais como a camisa da seleção brasileira e a palavra “família”.  Aliás, Juliano deu a esperança de que há sim uma saída para todas as invisibilidades não-vistas diariamente, mas que é algo a ser visto e revisto diariamente. Já Erika concluiu, “Há uma diferença entre educar e impor uma verdade, e o que a gente tem que fazer é educar e dar a liberdade de escolha para que as pessoas possam compreender as decisões que tomam”.

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