Ao longo de quase três décadas, desde 1993, a trajetória da Téspis Cia. de Teatro se entrelaça com a história do teatro em Itajaí e região. Consolidados profissionalmente pela atuação conjunta, desta vez, os fundadores da companhia Denise da Luz e Max Reinert pisam no palco simbolicamente com o corpo dos materiais acumulados durante os 28 anos de existência do grupo.

O livro “Memória, história, teatro e resistência” ganha versão física e digital, com arquivos que remontam os passos que traçaram até hoje. É, certamente, um resgate do amplo acervo memorial da Téspis que foi feito para a criação desse trabalho. Aliás, a catalogação envolveu a digitalização de fotografias impressas, a conversão de vídeos para o formato digital e a organização de diversos registros. O objetivo foi revisitar a produção e circulação de peças, as oficinas e cursos ministrados, a participação e coordenação de eventos teatrais e suas experiências de gestão de espaços culturais. O resultado é a reafirmação de que a memória individual da companhia dialoga abertamente com a compreensão do contexto histórico-cultural em que ela se formou, fazendo com que o seu compartilhamento seja de relevância pública.

O material reunido, surpreendentemente, cria um recorte sobre o teatro catarinense e seu compartilhamento busca resgatar essas memórias e compartilhar essas informações com o público. A partir do dia 21 de dezembro, tudo isso estará acessível virtualmente no site do grupo. Além disso, estará disponível um banco com mais de 500 imagens e 20 horas de vídeos originalmente gravados em VHS, incluindo o espetáculo de inauguração do Teatro Municipal de Itajaí, e um vasto número de reportagens. Os idealizadores do projeto acreditam que a disponibilização deste material poderá contribuir para reflexões acerca da produção cultural local e estadual.

A história da Téspis, se espelha em tantos outros coletivos do estado, que se mantém ativos e produtivos por tanto tempo, de forma ininterrupta. Os esforços da classe artística do estado são ainda mais admiráveis se consideradas as dificuldades que profissionais da área enfrentam no país: a desvalorização da categoria, o sucateamento de políticas públicas e, recentemente, as implicações da pandemia combinadas a esses demais fatores. Frente a isso, o livro também mostra a companhia posicionada, oferecendo um panorama das suas ininterruptas contribuições relativas à articulação profissional e política da classe teatral desde 1990 no município.

Nas palavras de Sulanger Bavaresco, produtora cultural, diretora, atriz e dramaturga que participa da cena cultural desde 1984, “a Téspis Cia de Teatro não se acomoda ao peso de suas conquistas. Ela é impulsionada pelas inquietações, pelo talento e pela criatividade permanente de seus integrantes, indicando que nas próximas décadas seremos surpreendidos com a realização de obras sempre mais instigantes”.

O projeto “Memória, história, teatro e resistência” é viabilizado através da Lei de Incentivo à Cultura de Itajaí, com patrocínio da Fundação Cultural de Itajaí e da Prefeitura de ltajaí, e renúncia fiscal da Unimed. Conta com apoio da Procave Empreendimentos e Itajaí Criativa – residência artística.

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