3 é 5
Foto: Dani Tranchesi

Uma profunda ligação entre imagem e literatura é o ponto de partida de “3 é 5”, a nova série da fotógrafa Dani Tranchesi, realizada no segundo semestre de 2020. A edição final das imagens privilegia as feiras dos bairros de Santa Cecília, Bixiga e Campos Elíseos em São Paulo.

“3 é 5” mostra o mundo particular e universal dos personagens que vivem e trabalham nas feiras, desde suas histórias, suas memórias, ao mundo da oralidade diária onde a linguagem de cada um apresenta sempre uma surpresa para o visitante. Por isso o título é “3 é 5”.

Durante a pandemia, as feiras livres foram alguns dos poucos lugares que não pararam de funcionar, quase como locais de resistência. Este fato, aliado ao fascínio que a fotógrafa nutre pelo tema, fez surgir o projeto “3 é 5”, título que remete à fala usual dos feirantes, principalmente na hora da xepa, para atrair a atenção dos clientes.

O projeto chega ao Rio de Janeiro com expografia inédita assinada por ​​Diógenes Moura, criada especialmente para a galeria Nara Roesler, com uma experiência com novas cores e formatos, além da exibição do curta-metragem especialmente criado pelo cineasta Pedro Castelo Branco. Aliás, para Diógenes Moura, curador do projeto, a exposição e o livro mostram que a feira é um lugar de resistência, que consegue se manter viva diante de um mundo onde tudo se tornou on-line.

“Tem, certamente, um potente apelo visual, mudanças constantes de luz, personagens muito particulares, várias histórias, muitos detalhes, também alguns mistérios e segredos. Para a palavra e para a imagem, que é o universo ao qual me dedico como escritor e curador, a feira é um mundo muito próximo ao de uma ópera”, conta ele.

A mostra traz ao público uma seleção de 30 imagens que, além de documentar os processos de montagem e desmontagem de uma feira livre, colocam em primeiro plano seus diversos personagens, figuras humanas que assumem os papéis de feirantes, fregueses, em sua constante, frenética e caótica movimentação.

Já o livro “3 é 5” (Vento Leste Editora), com imagens que compõem a mostra, é organizado a partir de três momentos. No primeiro, começando com a feira ainda na madrugada, sem a presença dos fregueses, constrói-se o cenário da narrativa, com elementos da montagem das barracas, o amanhecer e a preparação para o que está por vir. No segundo, os feirantes se tornam protagonistas ao posarem em um estúdio improvisado em certos pontos da feira.

A terceira e última parte da publicação traz um material extra, com registros dos fotogramas do curta-metragem do cineasta Pedro Castelo Branco, imagens em preto e branco que fogem ao habitual making of e se revelam uma obra complementar e distinta do livro. O curta foi premiado com a melhor montagem no Festival Comunicurtas da Universidade Federal da Paraíba, em Campina Grande.

O filme expõe o ofício de um feirante que precisa trabalhar em meio a uma pandemia, mas sempre com bom humor, mostrando suas relações com os fregueses e falas tão peculiares. “Minha intenção, desde o começo, foi de captar a atmosfera da feira, fazendo com que o espectador se sinta parte daquele espaço caótico e cativante”, explica o diretor.

Além disso, cinco textos que o curador Diógenes Moura realizou para o projeto poderão ser acessados pelos visitantes, por QR codes.

Serviço
Período expositivo: de 02 de fevereiro a 02 de março
Local: Galeria Nara Roesler ( R. Redentor, 241 – Ipanema)
Horário de visitação: de terça-feira a sábado, das 10h às 19h
Entrada franca
Acesso para pessoas com mobilidade reduzida

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