Artista argentino faz sucesso deslocando marcos arquitetônicos.

“A tensão”
Foto: Guyot/Ortiz

Barco e elevador flutuantes, janelas para jardins imaginários e até uma piscina em que o visitante pode ficar submerso sem medo de se afogar fazem parte da mostra “A tensão”, de Leandro Erlich, um dos nomes mais provocativo e populares da arte contemporânea, o argentino.

A exposição que chega ao Rio tem um nome bastante explícito, “A tensão” (e sonoramente ambíguo: quem não lê pode ouvir “atenção”), revelador de um dos prováveis sentimentos que os visitantes sentirão diante das instalações do artista. Isso porque Erlich trabalha com referências que são, literalmente, “lugares-comuns”, espaços que estamos acostumados a ver no dia a dia, mas deslocados da condição de normalidade.

O curador da exposição, Marcello Dantas, conta que, “A obra de Leandro Erlich é estruturada no mecanismo da dúvida. O que nossos olhos veem está em desacordo com o que nossa mente conhece”.

Leandro Erlich, constantemente, rompe as fronteiras que normalmente acreditamos existir
entre a realidade e a ilusão. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o artista explicou seu projeto, “Estou, certamente, interessado principalmente em transformar elementos que as pessoas acreditam que não podem ser transformados, que não podem ser diferentes. Trata-se de uma utopia de apresentar a possibilidade de transformar o que existe em uma outra coisa, e essa ação nos convida a imaginar a realidade de uma maneira diferente”.

Aliás, uma das mais bem sucedidas experiências nesse sentido, que se tornou uma de suas obras mais populares e desconcertantes, é a instalação “Swimming Pool”. A atração provoca sensações absurdas tanto por quem entra nela (sem se molhar). Quanto para quem está do lado de fora: uma camada de água entre um lado e outro cria a ilusão de que as pessoas ao fundo estão de fato mergulhadas numa piscina.

Outra obra desconcertante e grande destaque entre as instalações de Erlich presente na exposição do Rio é “Classroom”. Nela, quando o público adentra a sala, sua imagem é refletida num vidro, como se ele fizesse parte de uma cena diferente. Os visitantes ficam parecidos com fantasmas, como se estivessem numa sala de aula abandonada . as memórias de infância se projetam para um cenário de crise e de abandono.

Além disso, em diferentes obras, Erlich recorre à ideia de recorte visual sugerida pelas
janelas. Um desses trabalhos se chama, justamente, “Blind Window”.  “Gosto da
ideia de pensar que o olho, ou o vidro, também são capazes de guardar histórias” é essa a proposta de Erlich ao fixar paisagens, situações imaginárias e inusitadas, em objetos arquitetônicos ou decorativos, como uma janela ou um falso espelho num elevador.

Onde quer que seja exposta, a arte de Leandro Erlich provoca o público. Ao deslocar o conhecimento prévio do espectador daquilo que poderíamos chamar, agora recorrendo a
um lugar-comum da linguagem, de “zona de conforto”, Erlich coloca o expectador necessariamente em confronto com o que dizia sua experiência sobre dada situação, exigindo “um engajamento e uma atenção participativa para desvendar cada obra”, explica o curador Marcello Dantas.

SERVIÇO
Exposição: “A tensão” de Leandro Erlich
Local: CCBB RJ
Visitação:  05 de janeiro a 07 de março

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