José Antonio de LimaO gosto de José Antonio de Lima pelo uso de materiais diversos pode ser comprovado em na exposição “Orgânicos”, que reúne variadas técnicas, em linguagem abstrata.

A exposição reúne pinturas, desenhos e objetos costurados e oxidados, incluindo colagens, tecidos, pó de ferro, tinta a óleo, nanquim, arames. Aliás, a linguagem abstrata utilizada pelo artista perpassa do plano bidimensional ao tridimensional, em obras de colorações terrosas e ferrosas e em preto e branco (seus trabalhos mais recentes) que apontam para a síntese da imagem poética desenvolvida por ele há quase 30 anos.

“É importante destacar a maestria com que o artista lida com as composições de planos e formas dentro de uma perspectiva orgânica. “O caráter experimental das construções das obras pode ser observado em todo o conjunto apresentado”, afirma Edson Cardoso, um dos curadores.

A composição das formas no espaço ganha um compasso a mais no trabalho de José Antonio de Lima. O artista, que há mais de 30 anos lida com a liberdade experimental, descobre no gestual e nos distintos materiais uma construção discursiva artística abstrata e orgânica. O processo se inicia por um desejo inquietante de produzir arte, ainda na infância no interior de Minas Gerais, MG e do Paraná, PR. E seja pela via do papel, da tela bidimensional e, ou, se expandindo, ganhando contornos maiores, indo para o campo físico dos objetos instalativos, se observa um memorial da matéria natural das coisas mundanas.

Os trabalhos não são titulados, pois assim o artista busca as variações livres das composições, que sempre se mostram um campo aberto para a exploração. Um baile de cores e luz parece ainda ritmar a dança das linhas, das garatujas, dos rasgos e das colagens. Ao notar a técnica dos trabalhos com mais afinco se percebe que mesmo quando tentamos apreender uma significação direta conceitual da imagem, algo escapa, e logo se transforma em outro aspecto, em outro sentido simbólico.

Outra marca visual fundante nesta exposição “Orgânicos” é a corporeidade das obras, tecidos que parecem peles, incisões em telas que remetem à arquitetura viva da terra e da cidade. O “lugar” da obra nunca é definido, embora José Antonio pareça conseguir captar algo do real.

Serviço:
Período: de 21 de janeiro a 13 de março de 2022
Curadoria: Edson Cardoso e Cota Azevedo
Centro Cultural Correios RJ ( Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro )
Visitação: de terça a sábado, das 12h às 19h
Entrada gratuita

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