"Trava Bruta"
Foto: Alessandra Haro

“Trava Bruta” fará temporada on-line a partir do dia 24 de janeiro no YouTube do Centro Cultural São Paulo.

“Trava Bruta” é um manifesto que parte da experiência transexual da autora Leonarda Glück para propor uma ponte e um embate entre o contexto artístico e a conjuntura política e social brasileira atuais no que se refere ao campo da sexualidade. O trabalho marca as comemorações de 25 anos de carreira da artista e também o seu reencontro com o diretor Gustavo Bitencourt.

O espetáculo possui forte relação com a criação imagética, refletida nas fotografias produzidas para o livreto distribuído ao público na temporada presencial, em suas imagens de divulgação e na própria cena. Seguindo esta proposta, articulou-se a ideia de um registro audiovisual que fugisse das filmagens teatrais convencionais. Aliás, esta ideia lança um novo olhar a obra, que não se propõe a ‘ignorar’ a presença da câmera, mas ser o reflexo de uma experiência compartilhada entre o teatro e o audiovisual, como vem sendo recorrente desde o início da pandemia.

Com ampla trajetória no campo das artes cênicas brasileiras, Leonarda fundou importantes coletivos nacionais como a Companhia Silenciosa e a Selvática Ações Artísticas e apresentou seus trabalhos em diversos países da Europa e América Latina. Esta é a primeira vez que Leonarda aborda exclusivamente a questão da transexualidade em uma de suas criações.

“Trava Bruta” é uma espécie de vertiginoso poema cuja principal metáfora reúne o ato de bloquear e impedir a livre movimentação com a capacidade de brutalidade da natureza humana, sua violência e sua incivilidade. “Como é experimentar um corpo que provoca um misto de repulsa e desejo a um só tempo? O que tem a cultura a ver com a transexualidade? Como é ser uma artista trans no Brasil de 2021? Resposta não há, mas ainda há a poesia. E, mesmo que alquebrado, ainda há o teatro”, diz Leonarda.

A artista conta que começou a escrever o texto para a peça em 2018 em Curitiba, sua cidade natal, antes de se radicar em São Paulo. “Me veio uma possível angústia repentina: a de talvez não ter conseguido em outro momento antes escrever tão intimamente sobre o assunto da transexualidade, e seus efeitos na minha mente e na vida social da qual faço parte”, diz Leonarda, que arrastou por meses a tarefa de terminar o texto.

Em 2019, a montagem foi premiada pelo Centro Cultural São Paulo, integrando a 6ª Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos da instituição. Após ter sua estreia suspensa por conta da pandemia, o trabalho foi retomado em 2021 e estreou presencialmente na Sala Jardel Filho. Sobre a pandemia, Glück faz questão de frisar: “A gente entrou no modo catástrofe que meio que está até agora. As pessoas trans ficaram ainda mais vulneráveis do que já eram antes. E elas eram muito. São, no Brasil. Física e psicologicamente.”

SERVIÇO:
Temporada de 24 a 30 de janeiro.
Horários: 20h
Reserva de ingressos
Classificação: 18 anos
Duração: 60 minutos

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