Bem no meio
Foto: Duharte Fotografia

A partir das 19h do dia 17 de fevereiro, a ópera-instalação “Bem no meio” estará on-line pelo YouTube do Fil Festival. Idealizada pela multiartista Karen Acioly, com música do compositor francês Camille Rocailleux, o novo projeto da inquieta escritora, atriz e diretora convida o público a assistir às sessões contemplativas do espetáculo. Aliás, nestas apresentações o público poderá ver e sentir a ópera expandida em sessões de cinemópera (cinema + ópera + instalação). O espetáculo fica disponível até o dia 5 de março.

As projeções são feitas diretamente na instalação cenográfica do espetáculo. A ideia aborda, metaforicamente, a expansão dos sentimentos das personagens retratados em closes e fragmentos. Nas apresentações contemplativas, o público poderá ver e sentir a ópera expandida em sessões que passeiam pelas linguagens da ópera, das artes digitais projetadas e filmadas de modos diferentes.

“É o que chamamos de ressonância. O público vê muitas imagens da cena, tanto os complementos em mapping como a ópera toda filmada. Um quebra-cabeça de imagens que segue o fluxo musical da ópera”, explica Karen.

Baseado em histórias de crianças de pais separados, “Bem no Meio” joga uma lupa sobre os sentimentos infantis pouco escutados pelos adultos. A ideia surgiu após dois anos de pesquisa narrativa em que Karen teve uma escuta atenciosa entre diversas crianças de 4 a 12 anos, de diferentes escolas, sobre temas delicados de seus cotidianos dentro do FIL Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (em 2018 e 2020) – de modo virtual.

A pesquisa faz parte da dissertação do Mestrado em Educação “A dramaturgia da ópera para crianças – cultura e simbolismos” (UFF/2022) e do corpus do mestrado “A Dramaturgia do espaço na ópera para crianças”, da Université Sorbonne Paris 3, (2019/2021), ambos inspirados na obra dos filósofos Gaston Bachelard e Gilbert Durand, autores que estudam o imaginário. Diante do processo, várias questões recorrentes surgiram, como a separação dos pais e a invisibilidade das crianças no mundo dos adultos.

“Percebi que o que mais machucava as crianças era a falta de escuta aos seus sentimentos e dores profundas. Resolvi então escrever um libreto, usando a linguagem do maravilhoso, do inquestionável, em que a voz das crianças pudesse ser ouvida. A potência da poesia, do canto lírico e as multilinguagens da ópera podem fazer essa ponte”, conta Karen.

“Bem no meio” se passa em uma noite de eclipse, em janeiro, quando nasce um perfeitinho bebê. A felicidade é tanta que ninguém repara na estranha marquinha nas costas, que parece até um buraco. A bebê irradia tanta luminosidade que seus pais a batizam de Bem.

Ao completar sete anos, de tanto amar os livros, Bem descobre o dom de entrar e sair de dentro deles. Em um deles conhece Gaia, que se torna a sua melhor amiga. Alegre com a novidade decide contar para os seus pais sobre seu dom e sua nova amiga. Porém, ao chegar m casa, Bem percebe que seus pais estão falando uma língua esquisita. Ela tenta chamar a atenção, de forma divertida, mas eles estão tão bravos que nem notam o que ela diz. Bem se sente no meio de seus pais.

Ao fugir para dentro do livro, de tanto sentir pena de seus pais, algumas penas saem da marquinha de nascença de Bem até que uma pequenina e frágil asa nasce do lado direito. E é aí que sua grande aventura começa. Bem quer voar. Mas como voar com uma asa só? Será Possível? Bem vive muitos desafios, vencendo-os um a um. Quando seu canto se torna forte e sua dança também, outra asa surge vigorosa e bela do lado esquerdo. Porém, só as crianças conseguem enxergá-la. Bem agora tem duas asas e já pode voar!

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