Peça baseada no livro escrito por Clarice Lispector que narra a saga de Macabéa, volta ao circuito.

A Hora da Estrela
Foto: Ariel Cavotti

A peça “A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa” volta ao circuito carioca em curta temporada! A temporada especial acontece no Teatro Firjan Sesi Centro, entre 3 e 27 de março. Aliás, no dia 8, um álbum inédito chega às plataformas digitais com a trilha original do espetáculo, gravada por Chico César e Laila Garin. O disco reúne 16 faixas, com produção musical e arranjos de Marcelo Caldi, também diretor musical da montagem.

Em cena, Laila Garin retoma a mítica Macabéa, uma das personagens mais conhecidas da literatura brasileira, acompanhada por Claudia Ventura e Claudio Gabriel. Além disso, espetáculo marca ainda a primeira vez em que Laila Garin atua em um espetáculo de composições inéditas, produzidas ao longo do processo de ensaios.

Em 2020, ano do centenário de Clarice Lispector (1920-1977), uma de suas obras mais emblemáticas ganhou uma versão musical para os palcos, absolutamente original. Após estrear no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro em março, “A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa” teve a sua temporada interrompida pela pandemia do Covid-19. Após a pausa, o espetáculo retornou para uma temporada híbrida, seguindo todos os protocolos, com o elenco usando máscara e lotação limitada na plateia, passando também pelo CCBB Brasília, Sesc SP e CCBB BH. Desta vez, a montagem retoma o formato em que estreou, há dois anos.

A adaptação do diretor André Paes Leme conta com idealização e produção de Andréa Alves, da Sarau Cultura Brasileira, responsável por espetáculos como ‘Elza’, ‘Suassuna – O Auto do Reino do Sol’, ‘Sísifo’ e ‘Macunaíma’.

“A Hora da Estrela” foi o último livro escrito por Clarice, que faleceu pouco tempo após o seu lançamento. Suas páginas narram a saga de Macabéa, imigrante nordestina cuja vida no Rio de Janeiro é marcada pela ausência de afeto e poesia. Vista pela sociedade como uma mulher desprovida de qualquer atrativo, ela se contenta com uma existência medíocre: ganha menos do que um salário, divide um quarto com quatro pessoas, sofre com um chefe rigoroso e não atrai a atenção de ninguém.

Na obra literária, tal história é contada por um escritor, que vê Macabéa na rua e resolve narrar a vida de uma pessoa tão invisível, comum e sem brilho, em um exercício de alteridade. Para esta nova versão teatral, André Paes Leme propõe uma inversão e essa figura do escritor se transforma em uma atriz. Desta forma, Laila Garin tem o desafio de se alternar entre a Macabéa e a Atriz, que não somente narra, mas também comenta e lança uma série de questões ao longo da encenação.

“O trabalho de adaptação não é de reescrever o texto. É o trabalho de transportar o universo sem estar aprisionado a qualquer palavra, através da edição e deslocamentos de episódios. Houve também a recondução dos textos do escritor para a atriz”, conta o diretor. Aliás, André Paes Leme teve ainda a parceria de Chico César no processo de criação. As músicas pontuam toda a dramaturgia e aparecem para ilustrar o estado emocional e o interior de cada personagem.

Ao longo da montagem, as canções servem ainda para detalhar algum acontecimento e também para tirar as personagens do sofrido estágio em que se encontram, trazendo alguma fantasia para existências tão opacas. “A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa” traz trechos musicados do próprio livro e criações livres, com base no original de Clarice Lispector.

”  “A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa” é, certamente, um espetáculo que diz exatamente o que queremos falar neste momento. Estar em cena também como a Atriz é uma afirmação deste ato poético e político que é o teatro. É um grito de indignação com muita poesia, lutando com as armas que temos. A peça fala de solidariedade, de olhar para o outro com afeto. Além de tudo, é uma peça sobre esperança”, analisa Laila.

SERVIÇO
Temporada: 3 a 27 de março de 2021. Quintas e sextas, às 19h. Sábados e domingos, às 18h.
Ingressos pela Sympla
Local: Teatro Firjan Sesi Centro (Av. Graça Aranha, 1)
Classificação: 16 anos – Duração: 120 minutos

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