A Academia Brasileira de Letras (ABL) promove, em março e abril, o ciclo “Brasil Moderno” em comemoração aos 100 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Através do pensamento de importantes nomes da cultura brasileira, as conferências buscam traçar um paralelo entre a Semana e os dias atuais. Entre os palestrantes estão o cantor Gilberto Gil, o poeta Antonio Carlos Secchin e o músico José Miguel Wisnik. Os eventos, gratuitos, acontecem às quintas-feiras a partir de 17 de março no Teatro R. Magalhães Jr, sede da ABL.

“O ciclo Brasil Moderno tem um pé no passado, outro no presente e até mesmo um terceiro pé, se é que possível pensar, no futuro. Nos tempos atuais, temos uma luta muito movida pelo desejo de regressão. Então, eu acho que é muito oportuno fazer isso hoje. A gente lança a esperança de que um dia seremos modernos outra vez”, afirma o Acadêmico Geraldo Carneiro, coordenador do evento. As palestras têm, ainda, coordenação geral do Acadêmico e Primeiro Secretário Joaquim Falcão.

A Academia Brasileira de Letras retomou, no dia 10, os trabalhos presenciais com a Sessão da Saudade em Memória do acadêmico Cândido Mendes. Em seguida, no dia 11, aconteceu a posse da nova Diretoria, presidida pelo Acadêmico Merval Pereira, tomou posse em sessão solene para o exercício de 2022.

Semanalmente, será disponibilizado um link de inscrição no site da ABL para os interessados em assistir às palestras do ciclo Brasil Moderno presencialmente. O Teatro R. Magalhães Jr tem capacidade para até 288 pessoas, e é necessário apresentar carteira de vacinação com o esquema de imunização completo. Também será possível acompanhar o ciclo por transmissão ao vivo pelo YouTube, neste link.

O formulário para a primeira conferência, no dia 17 de março, já está disponível. Na ocasião, o Acadêmico Antônio Carlos Secchin apresenta o tema “Memória e Desmemória da Semana de 22”. De acordo com Secchin, a palestra vai destacar os possíveis equívocos e mitos que giram em torno das memórias relacionadas à Semana de Arte Moderna e dar luz à veracidade dos fatos.

“Na minha palestra, eu vou abordar basicamente duas questões. A primeira delas é a memória. O que as pessoas que participaram se lembram e disseram sobre a Semana de Arte de Moderna. Vou tratar não apenas os mais famosos, como também dos personagens secundários. No final da palestra, eu vou levantar o que ficou esquecido, o que não foi dito e o que tentou se ocultar sobre a Semana de 22”, afirma o poeta.

No dia 24, o economista Eduardo Gianetti, recém-eleito para a ABL, realiza a conferência “Tópicos Utópicos”. E no dia 31 de março as mulheres à frente de seu tempo serão tema da palestra “De Pagu a Carlota Joaquina”, de Carla Camurati.

Já no mês de abril, o escritor Julio Ludemir fala da influência da Semana de Arte Moderna para um dos maiores compositores da música popular brasileira com a palestra “Pixinguinha vai à Europa”. Gilberto Gil, no dia 14, fala da influência da Semana no movimento artístico de que fez parte em “Antropofagia e Tropicália”. E o ciclo se encerra no dia 28 de abril com a palestra “Mário e Oswald – É tudo para hoje”, de José Miguel Wisnik.

“Acho que, com esse ciclo de palestras, a Academia Brasileira de Letras responde com uma diversidade de abordagens. O próprio programa é amplo e não se restringe à Literatura. Acho que a importância é essa: chamar a atenção para as várias facetas da cultura brasileira”, destaca Secchin.

A Semana de Arte Moderna foi uma manifestação artístico-cultural que ocorreu no Theatro Municipal de São Paulo entre os dias 13 a 18 de fevereiro de 1922. O evento reuniu diversas apresentações de dança, música, recital de poesias, exposição de obras – pintura e escultura – e palestras. Os artistas envolvidos propunham uma nova visão de arte, a partir de uma estética inovadora inspirada nas vanguardas europeias. Juntos, eles buscavam uma renovação social e artística no país, evidenciada na “Semana de 22”. O evento chocou parte da população e trouxe à tona uma nova visão sobre os processos artísticos, bem como a apresentação de uma arte de identidade mais brasileira.

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