Exposição apresenta quatro seções, que tratam de diferentes temas da obra do pintor russo.

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro abre as portas para uma exposição, surpreendentemente, apaixonante, “Marc Chagall: sonho de amor” com 186 obras desse artista que marcou o século XX pelo uso revolucionário das formas e das cores.

O artista franco russo ganha exposição no Brasil apresentando obras inéditas do seu universo onírico, poético e fantástico. Chagall fundiu as culturas judaicas, russa e ocidental com cores e expressões intensas. Sua vida foi marcada pela Guerra, o que reflete em suas obras, com uma iconografia muito pessoal. A criação de um universo impar em sua trajetória única é pautada pelo amor que devotava à vida e às artes.

“Só o amor me interessa, e eu estou apenas em contato com coisas que giram em torno do amor”, é esta frase célebre de Chagall que de certa forma orienta a exposição. Chagall enfatizava repetidamente que sua vida e arte eram suas formas de expressar amor.

Nascido em 7 de julho de 1887 no bairro judaico da cidade de Vitebsk, na antiga Rússia, Marc Chagall viveu uma vida quase centenária, chegando aos quase 98 anos de idade. Faleceu na França, em 1985, após atravessar a Revolução Russa e a 1° e 2° Guerras Mundiais, assistir à criação e consolidação do Estado de Israel, e ser reconhecido como um dos nomes mais importantes da arte moderna, sobretudo pela criação de uma linguagem artística única.

Marc ChagallLogo na entrada da exposição, o “Sonho de amor” é anunciado pela instalação contemporânea Air Fountain, gentilmente cedida pelo artista Daniel Wurtzel. Nas salas de exposição, o percurso contínuo apresenta uma seleção de obras produzidas por Marc Chagall ao longo da carreira, de onde emergem os temas: origens e tradições russas; o amor e o exílio na representação do mundo sagrado; o lirismo e a poesia, reencontrados em seu retorno à França, e o amor transcendente, uma ode ao sentimento de estar apaixonado, presente na figura dos enamorados que flutuam nas telas ou estão imersos entre ramos de flores.

 Sua biografia, marcada pela origem humilde e pelos inúmeros obstáculos à sobrevivência, compeliu-o a se mover inúmeras vezes: viveu na França, nos Estados Unidos e na própria União Soviética, onde, após a Revolução Russa, ocupou o posto de Comissário de Belas Artes de Vitebsk, sendo responsável pela vida artística da cidade. Após breve atuação no cargo, Chagall mudou-se para Moscou, onde trabalhou em 1920 nos painéis e no mural do Teatro Judeu, com grande repercussão naquele contexto. Em seguida, mudou-se para Berlim, onde havia sido reconhecido artisticamente desde 1914. Em 1922, partiu para a cidade à qual dirigiu inúmeras declarações de amor e onde viveu a maior parte de sua vida: Paris, cidade em que Chagall atingiu sua plenitude artística.

Em sua trajetória única, Marc Chagall fundiu diferentes culturas: a judaica, sua cultura de origem familiar; a russa, de nascimento; e a ocidental, por escolha. Em uma combinação especial de domínio técnico, respeito pelas tradições ancestrais e extrema sensibilidade na orquestração de formas e cores, abriu caminhos para o surrealismo, estabeleceu diálogo com o cubismo e com o fauvismo, e criou um universo próprio, vibrante e imaginativo. Não menos importante é sua contribuição para as artes gráficas, em que alcançou pleno domínio das técnicas de água-forte e de litografia, produzindo séries gráficas de excepcional beleza e apuro técnico, à altura das obras literárias que as inspiraram. Aliás, Para Chagall, a Bíblia ainda era a maior fonte de poesia de todos os tempos.

 Entre os trabalhos de Chagall exibidos no Brasil, que contemplam o período de 1922 a 1981, pode-se destacar o raríssimo guache O avarento que perdeu seu tesouro (L’avare qui a perdu son trésor), de 1927, produção que dá início à série gráfica das Fábulas de La Fontaine (Fables, Jean de La Fontaine), encomendada por Ambroise Vollard no final dos anos 1920 e impressa somente em 1952.

Além disso, também fazem parte da mostra as gravuras coloridas à mão da série Bíblia, animadas por um sentimento de reconexão do artista com suas origens, com sua essência, com suas experiências na comunidade judaica de Vitebsk. Além disso, a exposição conta com litografias publicadas em 1954 na revista francesa Derrière Le Miroir – Edições 66, 67 e 68 – Marc Chagall: Paris, produzidas como uma homenagem do artista à cidade que tão bem o acolheu, no auge de seu domínio técnico da litografia. A série é uma declaração do seu amor por Paris.

Em cada seção da exposição encontram-se obras emblemáticas. A exposição apresenta quatro seções, que tratam de diferentes temas da obra do pintor russo. A primeira parte intitula-se “Chagall. Origens e tradições russas”. Nessa seção estão presentes duas pinturas de importância significativa, o Vendedor de gado (Le marchand des bestiaux), de 1922, e Aldeia Russa (Russian village), de 1929. Também faz parte dessa primeira seção da mostra um dos mais importantes projetos de Chagall, no qual sua ideia de tradição está intimamente ligada à vida campesina da infância e adolescência no vilarejo de Vitebsk, na companhia de animais e cercado pela natureza.

Chagall mergulha no universo onírico e reflexivo das fábulas, atraído por uma forma tradicional da arte popular russa, os lubki, que eram pequenos textos com ilustrações coloridas usados para facilitar a educação de pessoas com pouca formação.

Os trabalhos relacionados aos textos sagrados e ao universo espiritual de Chagall compõem o segundo bloco da exposição, intitulado Mundo Sagrado, que se subdivide em “Bíblia” e “A história do Êxodo”. Nele se destacam as pinturas No caminho, o asno vermelho (En route, l’âne rouge), de 1978, e Davi e Golias (David et Goliath), de 1981, além de gravuras coloridas à mão, que representam alguns dos capítulos mais importantes do Velho Testamento, como Moisés e Arão diante do Faraó (Moïse et Aaron devant Pharaon), Travessia do Mar Vermelho (Passage de la Mer Rouge) e Morte de Moisés (Mort de Moïse), estas com impressão realizada em Paris em 1956.

 O terceiro segmento da exposição, intitulado “Um poeta com asas de pintor” reúne trabalhos ligados ao regresso de Chagall do exílio nos Estados Unidos. O mundo do circo, a vida parisiense e o amor a Paris são os protagonistas das obras desta sessão, em que figuram desenhos e pinturas a óleo, guache e nanquim.

Por fim, o quarto e último módulo da mostra é intitulado “O amor desafia a força da gravidade”, em que o sentimento de amor, a sensação de estar apaixonado, o enlace dos enamorados são os temas das pinturas, reforçando sempre o fato de o amor ter sido a força motriz do artista, frente aos inúmeros obstáculos da vida. Ao seu lado, a musa e primeira esposa, Bella Rosenfeld, com quem partilhava uma visão muito particular de perceber e habitar o mundo. Apesar de sua morte prematura, Bella continuou a inspirar trabalhos de Chagall.

Consta dessa parte da exposição uma seleção de obras em que Chagall trata do tema ao longo de sua vida. O amor como força que move a vida e a arte, tal como Chagall expressou vividamente em sua obra, encerra a exposição.

A mostra fica em cartaz no Rio de 16 de março a 6 de junho de 2022 e depois segue para Brasília (28 de junho a 18 de setembro), Belo Horizonte (12 de outubro a 9 de janeiro de 2023) e São Paulo (1 de fevereiro a 10 de abril de 2023).

⦁ O CCBB RJ funciona segundas das 9h às 21h; terças é fechado; de quarta a sábado das 9h às 21h e domingo das 9h às 20h.
⦁ A entrada do público é permitida apenas com apresentação do comprovante de vacinação contra a COVID-19.
⦁ O acesso ao prédio é livre, mas os ingressos para os eventos devem ser retirados na bilheteria ou previamente pelo site ou aplicativo Eventim.

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro fica na Rua Primeiro de Março, 66.

2 Comentários

  1. Amadorismo na organizaçao é apelido..Ate os cartazes que retratam a exposiçao estão “escondidos” da entrada principal..Não há informaçoes de horários e para munha surpresa não abre às terças (o que também não é descrito no cartaz)..Baixo nivel desses museœlogos é evidente

  2. Amadorismo na organizaçao é apelido..Ate os cartazes que retratam a exposiçao estão “escondidos” da entrada principal..Não há informaçoes de horários e para munha surpresa não abre às terças (o que também não é descrito no cartaz)..Baixo nivel desses museœlogos é evidente…Uma pena.

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