Exposição ressignifica a natureza pela arte.

Cores contrastantes, elementos figurativos da fauna e flora, materiais orgânicos e inorgânicos, como folhagens e ferro, além de uma videoinstalação imersiva composta por projeções, folhas desidratadas e até reprodução de sons da natureza, tudo isso compõe a exposição “Reconexão”, da artista Fabi Cunha.

A partir de 01 de abril, o Centro Cultural dos Correios recebe a exposição que, certamente, ressignifica a natureza através da arte. “Reconexão” traz pinturas, esculturas e obras instalativas, baseada na pesquisa e vivência de Fabi Cunha na Mata Atlântica, lugar que serve de material criatório e onde a artista mantém o seu ateliê.

ReconexãoSob curadoria de Cota Azevedo, cerca de 50 obras em variadas dimensões, chamam a atenção do público para a importância da preservação ambiental. Seja através de uma reflexão sobre ação depredatória do humano contra a natureza ou pela importância de se reconectar ao meio ambiente como modelo sustentável da vida em sociedade.

“O objetivo do projeto “Reconexão” é levar o público a refletir sobre a ação deletéria do homem contra a natureza e a importância de se reconectar ao meio ambiente”, diz Fabi Cunha.

A artista pesquisa obstinadamente o equilíbrio entre cor e forma, inspirada em elementos da Mata Atlântica. As telas são invadidas por folhagens típicas da Mata Atlântica, em meio a massas de cor e raios de luz, aplicados em colorjet, que apontam para um progressivo desprendimento da forma. Aliás, Fabi chama atenção para a importância e urgência de uma reconexão do homem com a natureza.

“Os termostatos parecem estar mesmo desregulados. O aquecimento global já é um problema recorrente e até pauta de notícias diárias. Os desmatamentos e as inundações constantes alertam para as graves consequências da degradação da natureza pelo homem e assola a vida cotidiana com um soco no estômago”, parafraseando Clarice Lispector, a exposição “Reconexão” contempla a natureza virgem ao ganhar forma lírica, toma fôlego e convida para uma pausa ao respirar.

Além disso, imagens simbólicas do ecossistema poderão facilmente ser percebidas na mostra e remetem para um universo histórico, no qual antes da nomeação havia o estado bruto das coisas.  Em “Reconexão” a artista apresenta os seus trabalhos e nos possibilita o retorno a estas antigas civilizações, com a apropriação de materiais orgânicos e os ressignificando em arte.

Ressalta-se, de forma equivalente, a característica da composição estética com que Fabi Cunha transmuta a natureza. Flores, madeiras e plumas são recolhidas e remontadas em meios variados como pintura, objetos escultóricos e instalação. Aliás, a escolha estética também deságua em sua brasilidade, mais especificamente na Mata Atlântica, lugar que fixa o seu ateliê e se torna base fundante de sua fonte criadora e de pesquisa.

Ao observar as folhagens, os pássaros e o colorido vibrante das obras como referenciais semióticos do conjunto dos trabalhos, há uma identificação em direção à arte indígena com a escolha dos padrões gráficos nas pinturas em tela, nos desenhos de animais e no colorido abstrato, embora com um frescor de uma vivência na contemporaneidade.

SERVIÇO
Período: de 01 de abril a 14 de maio de 2022
Centro Cultural Correios RJ ( Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro )
Visitação: de terça a sábado, das 12h às 19h
Entrada gratuita

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here