A imagem da bruxa no cinema ganha mostra sobre sua evolução e temáticas.

A mostra “Mulheres mágicas: reinvenções da bruxa” no cinema investiga como a figura da bruxa, entendida em um sentido amplo, foi construída ao longo da história do cinema. Essa personagem, certamente, tão popular é vista em sua complexidade: nem positiva ou negativa, mas como uma potente via de investigação sobre as representações dos corpos e saberes femininos em imagem.

“Indo além de uma visão ocidental, trazemos a bruxa também da perspectiva das mulheres artistas e cineastas, em diferentes países e contextos, apresentando uma visão ‘decolonial’ que pensa o caráter consubstancial de questões de gênero, raciais e geopolíticas que incidem sobre essas representações.”, comenta Carla Italiano, curadora da mostra.

 O cinema de ficção também demonstrou interesse especial por atualizar os processos de caça às bruxas ao final do período medieval.  Outra vertente prolífica está nos gêneros de terror e horror, em particular após os anos 60, sendo notável o caráter monstruoso do feminino nessas figurações a acompanhar certo desvio moral das personagens. Aliás, a mostra também exibe dois contrapontos que não trazem exatamente bruxas ou figurações de magia, mas lutas concretas por direitos e liberdade coletiva que permanece sob ameaça.

Os filmes que integram a mostra apresentam a bruxa como aquela que dialoga com outros tempos e mundos, que desafia as normas de sua época, que leva adiante os conhecimentos tradicionais de cura de gerações passadas. Serão exibidas, no cinema do CCBB, 25 produções, de longa e curta-metragem, de vários países e gêneros.

A abertura da mostra será com a exibição de A árvore de zimbro (1990), da islandesa Nietzchka Keene, que tem no elenco a cantora Björk, no dia 13de abril, às 18h, seguida de uma conversa com a Profª. Roberta Veiga. Mas, alguns dias antes, no sábado (9/04, 16h), o público já poderá participar da masterclass internacional com a pensadora Silvia Federici, professora emérita da Universidade de Hofstra, em Nova York, autora do livro “Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva”, que serviu de base para a curadoria.  As inscrições são gratuitas e devem ser feitas, até 6 de abril.

Além disso, dois filmes ficarão disponíveis gratuitamente no site da mostra, Feiticeiras, minhas irmãs (Camille Ducellier, 2010), de 13 a 19 de abril; e A árvore de zimbro (Nietzchka Keene, 1990), de 21 a 27 de abril.

No YouTube o público pode assistir, a partir de 15 de abril, às 10h, o debate gravado “A bruxa do amor: uma conversa com Anna Biller”, diretora do filme, com mediação de Analu Bambirra e legendas em português. Já no dia 19 acontece, às 19h, a mesa de debate “Esses corpos insubmissos”, com Noá Bonoba, Lorenna Rocha e Ramayana Lira e tradução para LIBRAS.

A programação conta ainda com duas sessões infantis do clássico O mágico de Oz (Victor Fleming, 1939) dublado. Será realizada também uma sessão inclusiva com legendagem descritiva, no dia 1º de maio, com quatro curta metragens: O reino das fadas (George Méliès, 1903), Transformations (, Barbara Hirschfeld,1976), Amarração (, Hariel Revignet, 2020) e Praise House (, Julie Dash, 1991).

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro funciona de quarta a segunda (fecha terça), das 9h às 21h. A entrada do público é permitida apenas com apresentação da comprovação de vacinação contra a COVID-19 e uso de máscara. Os ingressos para os eventos podem ser retirados, a partir das 9h do dia de cada sessão, na bilheteria do CCBB ou no site/aplicativo Eventim.

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