MokshaA Biblioteca Azul lança “Moksha”, de Aldous Huxley, autor do clássico “Admirável Mundo Novo”. Na obra, Huxley reúne escritos diversos, trechos de livros, palestras e correspondências que mostram a trajetória de investigação do autor a respeito de sua relação com o oculto da mente humana, e aquilo que ele chamava de “experiência visionária e sua associação com a arte e as concepções tradicionais de Outro Mundo”.

Aliás, o termo “Moksha”, originado na filosofia hindu, é análogo ao “nirvana” budista, e significa a libertação espiritual mediante a iluminação da consciência e o fim do ciclo de morte e renascimento a que as entidades vivas estão submetidas. Desde que administrou mescalina a si mesmo e registrou suas impressões nos textos de As portas da percepção e Céu e inferno, Huxley atuou no debate intelectual em favor da pesquisa sobre a experiência mística por meio de compostos químicos que sociedades tradicionais, como os povos das Américas, utilizavam para fins rituais sagrados e curativos. A obra registra o primeiro uso da palavra “psicodélico”, em uma troca de cartas entre Huxley e o Dr. Humpry Osmond.

Em um dos livros mais influentes da literatura, “Admirável Mundo Novo”, o autor já alertava para o potencial de controle social por meio medicamentoso. Naquele que se tornaria seu livro mais famoso, propõe uma droga chamada soma, capaz de criar uma ilusão escapista a quem a recebe. Já em A ilha, descreve uma sociedade utópica, em que outra substância, denominada moksha, potencializa experiências de aprendizado não discursivos e uma busca interior profundamente imersiva e transformadora.

Em ambos os trabalhos, cujos trechos podem ser conferidos neste livro, manifesta-se um alerta contra uma sociedade altamente burocratizada que o século XX produziu, em que o predomínio de um modelo técnico-científico levado ao extremo escraviza seus cidadãos. A experiência transcendental por meio alucinógeno seria, portanto, um caminho de liberdade da consciência, hipótese que ecoa nos movimentos sociais contemporâneos de seu autor. No debate acalorado de seu momento histórico, a curiosidade intelectual de Huxley está a serviço do debate público sobre drogas, um tema que permanece atual em nosso tempo. empo.

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