Espetáculo se fundamenta na pesquisa de Rita Clemente.

Natureza Morta
Foto: Priscila Natany

O fim do amor e do desejo dá início de uma nova jornada. Em “Natureza Morta”, uma mulher de meia-idade se encontra justamente neste ponto de ruptura definitiva: ela mata o marido para fazer uma viagem que planejava há anos. A ideia da viagem dispara questões no relacionamento dos dois e conduz a uma inevitável conclusão.

Para escrever “Natureza Morta”, Mário Viana se inspirou na tela “A Assassina” (1906), do pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944), que conheceu em uma edição da Bienal de São Paulo. Na época, ele integrava um grupo de jovens dramaturgos, e ali foi instado a escrever um texto curto sobre heroínas. A tela de Munch foi ponto de partida para essa história. “Para mim, a força do texto é a mistura de sentimentos da personagem. Ela ainda ama aquele cara? Amou mesmo? Tem medo? Está mesmo decidida a fugir?”, indaga Mário.

 Munch ficou conhecido por abordar o trágico em suas pinturas, com traços distorcidos e agressivos, cores fortes e vibrantes. Na tela “A Assassina” há uma indicação direta de que a personagem, com uma faca suja de sangue nas mãos, assassinou o homem deitado na cama.

Além disso, o espetáculo se fundamenta na pesquisa de Rita intitulada “Solo, Sim! Monólogo, Não”, que tem como foco o deslocamento de uma narrativa direta e monológica em direção a um solo, admitindo interlocuções, mesmo que haja apenas um ator em cena. Para “Natureza Morta”, a artista estabelece como elemento primário a interlocução da personagem/atriz com o pintor do quadro.

Na peça, a mulher mata o marido e é surpreendida pela presença do próprio pintor. Tratando dos anseios de mulheres que já não são tão jovens e que tiveram os seus sonhos subjugados, o espetáculo transpassa as relações afetivas e o arrefecimento da paixão entre um casal para trazer à tona questões da vida de uma mulher em processo de enfrentamento de seus sonhos e desejos.

“Gosto do tema arquetípico do final de um relacionamento, e o autor vai, surpreendentemente, fundo nessa questão. Nas entrelinhas, vemos muita contradição e dúvidas por baixo das certezas e vontades dessa mulher”, diz Rita. Ela completa, “Quero muito que as pessoas sejam tocadas por esse trabalho. Reforço que é uma mulher de 55 anos falando de si e dessas mulheres também, de como chegamos numa idade em que gostaríamos de mudar tudo. Essa personagem está fazendo um esforço real para quebrar essa linha que nos separa de uma renovação, de uma vida nova, o que é sempre um esforço maior para nós, mulheres.”

  SERVIÇO
Temporada: de 06 a 24 de abril de 2022
Local: Sesc Copacabana – Sala Multiuso ( Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana)
Dias e horário: quarta a domingo, às 18h
Classificação: 14 anos
Duração: 40 min
Capacidade: 50 lugares

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