Novo álbum de Criolo é o terceiro capítulo de uma trilogia.

Sobre ViverNovo álbum de Criolo, “Sobre Viver”,  nasce com a amplidão de um clássico. O novo projeto remete a tempos passados e estabelecidos, onde habitam todos os clássicos que conhecemos.

 “Sobre Viver” nasce com essa dimensão de perenidade justamente por ser um retrato do autor e do mundo que o rodeia ostensivamente amarrado ao presente, ao hoje, ao já. Logo em uma primeira audição, é possível identificar o novo álbum de Criolo como o terceiro capítulo da trilogia que começou com  “Nó na Orelha” (2011) e seguida no posterior “Convoque Seu Buda” (2014).

  “Sobre Viver” chega com o mesmo dom para fazer pontes, estabelecer encontros e propor diálogos entre o universo do Rap e tantas outras quebradas da música do Brasil e do mundo.

“Sobre Viver” começou a ser esboçado há pouco mais de um ano e, por razões autoexplicativas, se chamaria “Diário do Kaos” (com K, de Kleber). Era a reação de Criolo ao Brasil da pandemia e ao emaranhado de tristeza e ódio em que nos enrolamos, à nossa revelia, nesse período sórdido. Aliás, o mesmo impulso já havia dado forma ao single “Cleane” (2021), dedicado à irmã de Criolo, Cleane Gomes, vítima fatal da covid-19 aos 39 anos. Além disso, não por acaso, ela também é personagem de “Pequenina”, faixa mais autobiográfica do novo álbum, escrita para a mãe de ambos.

 “Ogum Ogum” aborda o tema pelo viés da intolerância com religiões de matrizes africanas, o mesmo racismo religioso que serve de pano de fundo para “Yemanjá Chegou”. Os temas são reiterados e expandidos o tempo todo, a cada faixa, o que fortalece o roteiro e solidifica o discurso.

O reggae “Moleques São Meninos, Crianças São Também” diz da infância na periferia, “onde o estado não chega, a maldade traça o norte”. E, transformando o caos em sobrevivência, a blues-balada “Diário do Kaos” aponta a libertação por meio da arte, da educação, da música: “Meu rap vai me levar aos confins do mundo pra dizer que só o amor pode te afastar do canhão de um 12, de um tiro, de uma arma, de uma desilusão”.

 Por ora, nenhuma faixa do novo trabalho vai ser desdobrada em clipe. É uma maneira de inverter a lógica e dar maior ênfase à música e às inúmeras interpretações que dela podem provir, nas cabeças dos ouvintes, sem a “viagem guiada” do audiovisual, que acaba levando o espectador por um caminho definido. Em vez de mil imagens, cada faixa do novo álbum foi vinculada a apenas uma cor. Para chegar aos tons ideais, o diretor criativo Tino Monetti fez uma pesquisa sobre a história das cores, seus significados em diferentes tempos, sociedades, contextos culturais e momentos históricos. Criolo rebatizou todas elas, dando um sobrenome conforme o universo da respectiva canção.

“Pretos Ganhando Dinheiro Incomoda Demais” é verde grana; “Moleques São Meninos Crianças, São Também” é rosa criança; “Yemanjá Chegou” é azul sereno etc. A direção de arte é de Pedro Inoue. A foto da capa é assinada por Helder Fruteira, com direção de arte de Alma Negrot. A direção geral segue nas mãos de Beatriz Berjeaut.

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