Obras raras de Portinari revelam faceta pouco conhecida do artista.

A exposição “Portinari Raros”, com cerca de 50 obras pouco vistas ou nunca antes expostas de Candido Portinari (1903-1962), chega ao CCBB. Mais do que trazer obras raras, o objetivo da exposição é mostrar um Portinari que o público não conhece. Para isso, toda a ambientação da exposição foi cuidadosamente pensada como as paredes de duas salas da exposição são compostas por desenhos do próprio Portinari, que deram origens às obras que estarão expostas naquele ambiente.

“Com isso, será possível entender o seu processo de trabalho. As paredes estarão todas marcadas com os desenhos que depois vão se transformar em pinturas”, conta o curador Marcello Dantas.

Obras originais, raras, como a única cerâmica produzida pelo artista ao longo de toda a sua vida, estudos de dois cenários produzidos para o “Balé Iara”, da companhia Original Ballet Russe, e um dos estudos para o painel “Guerra”, da ONU, estarão na exposição, assim como pinturas e desenhos em diversas técnicas, e figurinos, mostrando um artista eclético, que se aventurou em diversas manifestações artísticas muito além de sua zona de conforto.

 “Portinari Raros” apresenta a enorme diversidade de Candido Portinari. A obra deste grande artista múltiplo explora diversas linguagens, revelando assim uma faceta, certamente, pouco conhecida. Aliás, as obras vieram principalmente de coleções privadas, o que significa que várias nunca foram expostas.

“Candido Portinari tem um papel chave no modernismo brasileiro, além disso, foi um artista bastante multidisciplinar no seu tempo, encontrou caminhos e linguagens, diversidade de estilos e possibilidades. Apesar de ser uma figura muito conhecida no Brasil, muita gente não tem noção da enorme diversidade de linguagens que ele explorou e é isso que a exposição mostrará”, afirma o curador Marcello Dantas.

Ocupando o primeiro andar do CCBB RJ, a mostra será dividida em seis núcleos temáticos: “Fauna”, “Paisagens acidentais”, “Desenhos”, “Infância”, “Carajá”, “Balé” e “Flora”, que darão um amplo panorama das diversas facetas e linguagens exploradas por Portinari, revelando um artista eclético, pesquisador, capaz de se arriscar em outras formas de criatividade, como figurino, cenários, ilustrações e novas linguagens, trazendo à tona um Portinari invisível, ousado e pouco conhecido.

Completa a mostra a instalação digital Carroussel Raisonnée, que levará o público a uma viagem por todas as 4.932 obras catalogadas de Portinari. Os trabalhos serão apresentados em sequência cronológica, em uma projeção com mais de oito horas de duração, mostrando um panorama da enorme diversidade de estilos que é a produção do artista.

“Jangada e Carcaça” (1940)

 Entre os destaques da exposição estão as pinturas em óleo sobre tela “Meninos com Balões” (1951) e “Jangada e Carcaça” (1940), assim como o painel em óleo sobre madeira “Flora e Fauna Brasileiras” (1934), que tem 1,60m de comprimento, e “Menino Soltando Pipa” (1958), a única cerâmica feita por Portinari ao longo de sua vida. Além disso, também se destacam “Paisagem com Urubus” (1944), projeto para cenário do “Balé Iara”, o primeiro balé brasileiro a entrar no circuito  internacional e os figurinos criados por Portinari em uma animação digital.

A obra em óleo sobre papel “O Cemitério” (1955), nona ilustração do livro “A selva”, de Ferreira de Castro, também faz parte da exposição. A publicação comemorativa dos 25 anos da primeira edição da obra foi ilustrada com doze gravuras de Portinari, executadas na Casa Bertrand.

Como afirmou Luís Carlos Prestes, “As cores do Portinari, certamente, impressionam, são especificamente brasileiras. No Brasil, a luminosidade é muito diferente de qualquer outro lugar. E ele sabia dar essa luminosidade. E a vegetação verde, o mar azul e aquela listra branca, de areia branca. Não conheço outros pintores latino-americanos que tenham feito coisa parecida”.

Serviço:
Visitação: 29 de junho até 12 de setembro de 2022
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro)
Telefone: (21) 3808.2020
Fechado às terças-feiras.
Classificação indicativa: livre
Entrada franca, com ingressos disponibilizados na bilheteria do CCBB RJ ou pelo Eventim.

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