Rafael Bqueer expõe, pela primeira vez, esculturas e objetos tridimensionais na exposição “Boca que tudo come” na C. Galeria, no Jardim Botânico.

Rafael BqueerCom curadoria de Paulete Lindacelva, Rafael Bqueer apresentará dez obras inéditas,  inspiradas no Carnaval, mas que, certamente, também se desdobram em temas que a artista já vinha trabalhando, como o universo “Drag Themonia” e a luta por questões raciais e de gênero.

As obras são compostas por paetês, pedrarias e tecidos diversos, elementos que fizeram parte do carnaval de 2020 e foram doados pela escola de samba Grande Rio para a artista. “As alegorias exuberantes dos barracões são transportadas para a galeria como alegorias da própria língua e confirmam sua presença no trabalho como algo vasto de muita suntuosidade e de potencial transformador do material”, ressalta a curadora Paulete Lindacelva.

Muito ligada ao Carnaval, Bqueer foi destaque da escola campeã deste ano, cujo tema foi Exu, que também inspirou a artista na criação das novas obras. “O desfile da Grande Rio deste ano foi uma das principais referências para a criação de vários trabalhos e também do título da exposição, em referência a Exu. Mastigar os universos e vomitar um novo projeto”, conta a artista, que começou sua história com o carnaval em Belém, onde trabalhou em diversos desfiles, incluindo o da Império de Samba Quem São Eles, uma das maiores agremiações paraenses, além de ter trabalhado em diversas escolas cariocas dos grupos D, B e A.

Os trabalhos também abordam a questão do racismo, trazendo suas experiências com os desfiles das escolas de samba, arte drag e a cultura de massa das periferias para questionar os símbolos eurocêntricos de poder, bem como a ausência de narrativas afro-brasileiras e LGBTQIA+ na arte-educação e em instituições de arte.

Paralelamente a seu trabalho como artista visual, Bqueer tem um trabalho como drag queen, além de ser uma das fundadoras do coletivo paraense Themônias. O grupo, formado em 2014, reflete, já no nome, a estética distante do padrão das drags luxuosas e subverte o fato dos corpos LGBTQIA+ terem sido historicamente demonizados.

“Isso tudo também está presente nesses novos trabalhos, a estética da monstruosidade, do exagero, do brega”, ressalta Rafael Bqueer, que foi selecionada pela Bolsa ZUM 2020, do Instituto Moreira Salles, com uma série de quatro curtas-metragens do projeto Themônias, que tratam da cena drag-themônia amazônica.

Serviço:
Rafael Bqueer – Boca que tudo come
Abertura:
Exposição: até 17 de julho de 2022
C. Galeria (Rua Visconde de Carandaí, 19 – Jardim Botânico)
De terça a sexta, das 11h às 18h. Sábados mediante agendamento

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