"Revolução na América do Sul"
Foto: Joselia Frazão

Após uma temporada virtual, que lhe rendeu a indicação na categoria Jovem Talento – Elenco no 16º Prêmio APTR de Teatro, a peça “Revolução na América do Sul” faz sua estreia presencial.

O clássico de Augusto Boal faz turnê em oito unidades do SESC RJ pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar 2021/2022. Entre Junho e Agosto, “Revolução na América do Sul” volta aos palcos 62 anos após sua primeira encenação sob as bênçãos da viúva do dramaturgo, Cecília Boal, que convidou Wellington Fagner para dirigir o texto.

 A peça apresenta a história do operário José da Silva, um representante do povo que mergulha em uma viagem nas contradições de um Brasil injusto à procura de uma solução para a fome que o devora. A dramaturgia chega à contemporaneidade sob o olhar do dramaturgista Wellington Júnior.

 “Revolução na América do Sul” é uma das primeiras peças nacionais a colocar a classe trabalhadora no centro da cena sob a ótica da luta de classes, onde Junior traça um paralelo entre a realidade da época e a de então. “Se a classe trabalhadora hoje não é idêntica àquela existente em meados do século passado, ela também não está em vias de desaparição, nem ontologicamente perdeu seu sentido estruturante. A cena teatral contemporânea traz as questões urgentes do hoje, mas sempre em fricção com o passado. Este texto é um clássico da dramaturgia política brasileira e, como todo clássico, está sujeito às novas temporalidades. Boal é nosso Shakespeare com a língua dos três ‘P’ – popular, político e poético”, analisa.

“Poder circular é, certamente, alcançar uma das nossas maiores metas de fazer essa obra do Boal chegar ao trabalhador. Um dos maiores objetivos de “Revolução na América do Sul” é que ele possa romper essa ‘fronteira’ de ‘teatro zona sul carioca’. Que a peça aconteça também na zona sul, mas que alcance as regiões mais periféricas, as cidades ‘dormitórios’, como algumas são conhecidas, onde os trabalhadores vão só para dormir, preparar a marmita e voltar ao trabalho”, comenta Fagner.

Ele completa, “Somos periféricos e favelados, a maioria da Baixada Fluminense. Então é com esse público que nós queremos falar, que são os grandes protagonistas desse espetáculo”.

Nesta montagem fazemos um deslocamento dramatúrgico, uma atualização da obra, entendendo que o texto pode ser datado, mas a encenação não. Enquanto a montagem dialoga com a original revelando o olhar dissidente dos que veem o mundo através dos escombros da margem, a encenação intenciona o mundo do trabalho dos anos 1960 e o processo contínuo de precarização da mão de obra trabalhadora. “A reescritura do texto foi realizada a partir de um processo colaborativo em que o elenco tenciona as imagens presentes na dramaturgia de Boal com as referências de uma sociedade precarizada em um capitalismo de guerrilha”, adianta Fagner.

Entre tantos desejos da montagem está o de confrontar os discursos oficiais da historiografia. “A paródia e o jogo do cômico são elementos da linguagem da cena que estruturam possibilidades de uma outra forma de contar a história do Brasil. A fome ainda persiste e o capital especulativo domina o país. Temos muito dinheiro, mas não temos a distribuição da renda. Talvez uma grande mensagem desta montagem, formada por artistas, em sua maioria, moradores das regiões periféricas do Rio de Janeiro, será a que nós vamos morrer de fome. Nossa classe passou quase um ano para conseguir um auxílio emergencial. É o retrato de uma política pública que realmente não entende a necessidade da arte e de seus artistas. Mas a grande mensagem é que nós, artistas, estamos vivos – e vamos resistir muito”, encerra Júnior.

SERVIÇO:
TEMPORADA SESC PULSAR: 02 de Junho a 05 de Agosto
SESC Campos DATA: 10 de Junho HORÁRIO: 20h
SESC Madureira DATA: 17 de Junho HORÁRIO: 19h
SESC Nova Iguaçu DATA: 18 de Junho HORÁRIO: 19h
SESC São Gonçalo DATA: 16 de Julho HORÁRIO: 19h
SESC São João de Meriti DATA: 30 de Julho HORÁRIO: 19h
SESC Niterói DATA: 05 de Agosto HORÁRIO: 19h

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