Simples Assim
Foto: Victor Hugo Cecatto

 Celebrando o reencontro com o público, “Simples Assim” retorna ao Rio de Janeiro em curta temporada. A montagem, que foi paralisada pela pandemia, retorna para curta temporada no mesmo Teatro dos Quatro em que estava em março de 2020.

Baseado na obra de Martha Medeiros, o texto foi adaptado pela própria autora, ao lado de Rosane Lima. Aliás, as duas coletâneas em que a peça se baseia reúnem cerca de 200 crônicas, dessa pesquisa resultaram dez cenas que são um retrato das relações interpessoais no mundo contemporâneo.

Marcada por histórias entrelaçadas, a peça apresenta figuras simultaneamente distópicas e reais, como um casal que apenas interage pelo celular, uma mulher que contrata uma dublê de si mesma e uma jovem que decide viajar para Marte e abandonar o amante. Em todos os casos, há espaço para uma indagação: para onde foi a simplicidade do afeto tête-à-tête? O enredo traz reflexões sobre a roda da vida e a humanidade em meio ao caos moderno e à solidão tecnológica, repleta de informações e desencontros.

“Simples Assim” é uma comédia, que, certamente, reflete sobre o cotidiano com humor e afeto. Aliás, Martha Medeiros afirma que a peça traz o espírito de nossa época: “A vida é difícil, mas a simplicidade salva. Corruptos existem, mas eles nada podem contra a morte. A tecnologia nos domina, mas o amor segue imperioso. Tudo se entrelaça. É um texto para rir e pensar sobre essa birutice toda”, explica. Martha ainda acrescenta que as cenas exploram detalhes dessas relações no cotidiano, procurando o que permanece de humano nos personagens em meio a tantas transformações. “Montar a peça hoje é abrir um espaço de pensamento e, ao mesmo tempo, de prazer para os espectadores, desejando que eles possam rir e refletir sobre nossa linda e atribulada humanidade”, conclui.

Além disso, Rosane Lima, coautora, lembra que a estrutura do texto de “Simples Assim” segue um modelo inspirado em “A Ronda”, clássico do austríaco Arthur Schnitzler, com cenas aparentemente independentes, mas com um personagem sempre se repetindo no quadro seguinte. Com isso, os atores se revezam em vários personagens. “Eu também sabia que teríamos um elenco pequeno e um número razoável de personagens, situação que esse formato favorece. “A Ronda” foi escrita na virada do Século XX, um período de grandes transformações sociais, morais, etc., possibilitando uma analogia atraente com o momento atual. Na ciranda de Simples Assim não surgem apenas casais, como na peça de Schnitzler, mas também relações de irmãs, amigos, empregados, o que, além de ampliar o espectro de visão da peça, contempla a variedade e o alcance das crônicas da Martha”, define Rosane Lima.

Já Ernesto Piccolo considera a peça mais atual da escritora. “É a mais antropológica. Ela tem um lado muito humano e também traz lampejos sociais e políticos muito atuais, retrata o nosso desconforto com as coisas que estão acontecendo no mundo”. Enquanto para Julia Lemmertz destaca ainda a universalidade e importância dos temas abordados no espetáculo.

Pedroca Monteiro destaca que o espetáculo olha para o agora e aponta que, apesar de tudo, é necessário continuar. “Não adianta ir para Marte, como decide uma das personagens. É preciso estimular as pessoas à mudança. Ao invés de viajar para outro planeta ou mesmo outro país, é fundamental ficar aqui e tentar transformar o nosso lugar”, conclui.

Serviço
Local: Teatro dos Quatro – Shopping da Gávea
Temporada: 12 a 21 de agosto
Horários: Sexta e sábado: 20h / Domingo: 19h
Ingressos pela Sympla

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