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“The Minutes”, de Tracy Letts, ganha montagem brasileira

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"The Minutes"O espetáculo “The Minutes”, do premiado autor norte-americano Tracy Letts, o mesmo de “Agosto”, ganha tradução e adaptação brasileira de José Pedro Peter. Intitulado “A Última Ata” é um texto urgente e atemporal, diz Peter, sobre o espetáculo escrito em 2017, que foi montado só este ano na Broadway.

Os holofotes da peça estão nas entranhas de uma reunião de políticos, em que hipocrisia, ganância e ambição sobem à superfície quando um novo morador da cidade começa a fazer perguntas inconvenientes. Para a montagem, a ação foi deslocada do ambiente da câmara de vereadores para o teatro municipal. “Acaba sendo uma metalinguagem. Tudo acontece dentro do teatro, porque a câmara foi atingida pelas chuvas e está interditada. Então, os atores estão em cena o tempo todo. Não existe coxia aqui”, explica o diretor Victor Garcia Peralta.

Em “The Minutes”, onze atores, expoentes da cena carioca e com trajetórias essencialmente teatrais, estrelam esta comédia mordaz e provocativa, que expõe a podridão por trás das narrativas históricas que nos são contadas.

O elenco, formado por Analu Prestes, Mario Borges, Ary Coslov, Dedina Bernardelli, Leonardo Netto, Roberto Frota, Débora Figueiredo, Alexandre Dantas, Alexandre Varella, Marcelo Aquino e Thiago Justino, é transportado para Cerejeiras, uma pequena cidade do interior.

“A peça reforça muito a nossa realidade, em que há muita manipulação de quem está no poder, onde todos estão mancomunados”, diz Analu Prestes, que dá vida a Dona Violante, uma das vereadoras. “Eu me inspirei nas mulheres de extrema direita da nossa política. Ela é bem tradição, família e propriedade, dessas que defendem com muita veemência esses valores. Têm diálogos que são difíceis, bem o contrário de tudo que eu penso. E, para variar, as mulheres são minoria na história”, analisa. “

Onde foi parar a última ata? Por que o vereador César não faz mais parte desta câmara? As menores cidades guardam os maiores segredos. A trama, que tem um mistério como fio condutor, apresenta como pano de fundo o disparate coletivo dos vereadores da câmara local. Um dos temas centrais é até que ponto estamos dispostos a ir para não nos descobrirmos do lado errado da história.

Para manter os 11 atores em cena, o maior desafio de Peralta foi criar “partituras no silêncio”. “Os atores estão ‘vivos’ o tempo todo. Ora tem alguém mexendo na bolsa, ora olhando o celular, claro que sem desviar a atenção de quem está falando. Uns concordam com o que é dito e outros discordam. Há muitas discussões. O espetáculo é um espelho de como somos coniventes com certas coisas. Até hoje a gente finge que vários povos não foram massacrados, por exemplo. É um espetáculo que se utiliza do micro para contar sobre o macro”, complementa ele.

“Produzir teatro no Brasil é uma verdadeira via-crúcis, especialmente quando não se tem patrocínio ou lei de incentivo. Mas a convicção de que eu tinha uma história na qual eu acreditava e que precisava ser contada com urgência sempre me fez seguir adiante. E eu não poderia estar mais orgulhoso do resultado, sobretudo da minha parceria com o diretor Victor Garcia Peralta, que não apenas respeitou minha visão, mas a expandiu de maneiras brilhantes que eu nem poderia imaginar”, elogia o produtor Peter.

Serviço
Teatro das Artes (Rua Marquês de São Vicente, 52 – Shopping da Gávea, 2º Piso)
Temporada: de 7 de outubro a 13 de novembro
Sextas e sábados às 21h e domingos às 20h
Ingressos: sexta (R$ 80)/ sábado e domingo (R$ 90)
Duração: 90 min
Classificação indicativa: 12 anos

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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