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“12 anos ou A memória da queda” reconstrói a história de Solomon Northup

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"12 anos ou A memória da queda"
Foto: Ale Catan

É perpassando a figura de três elementos do mar profundo, a calunga grande dos povos africanos, que é contada a história de “12 anos ou A memória da queda”, espetáculo inédito criado pela dramaturga Maria Shu que chega no CCBB RJ. Em “12 anos ou A memória da queda”, as alegorias utilizadas pelas diretoras Tatiana Tiburcio e Onisajé, entram em cena baseado no longa 12 anos de Escravidão, de Steve McQueen.

através dos personagens de Carmo Dalla Vecchia, Dani Ornellas e David Júnior, o trio de protagonistas que traduz em imagem, movimento e discurso, dentro de certo realismo fantástico, os arquétipos da história original, “12 anos de escravidão”, escrita por Solomon Northup.

“Em “12 anos ou A memória da queda” , reconstruímos essa história a partir da compreensão atual de quem é esse sujeito negro e o que significa essa liberdade pra ele hoje a partir dessa trajetória. Porque não é interessante trazer algo datado, mas enxergar dentro dessa narrativa o que a gente conseguiu de vitórias e avanços e o que ainda precisamos romper enquanto imaginário sobre este sujeito, enquanto discurso deste mesmo sujeito, enquanto existência e perspectiva de futuro. O quanto ainda precisamos avançar a partir desta base constituída e apresentada lá trás”, observa Tatiana Tiburcio.

Onisajé acredita que, mesmo os espectadores que não leram o livro e nem viram o filme, dirigido por Steve McQueen em 2013, encontrarão uma argumentação cênica em “12 anos ou A memória da queda” que aponta o quanto ainda são criados discursos de inferiorização para justificar a neo-escravização.

Guiando a estética e a alma da montagem estão as referências da ancestralidade, da filosofia e mitologia negra. “A partir dessa compreensão revisitamos a história de Solomon entendendo os pontos críticos da narrativa em relação aos avanços no discurso racial na prática no nosso dia a dia. Ainda vivemos processos de escravização de diversas formas. Processos diretos – nos interiores deste nosso país – e de formas sutis, mas muito bem compreendidas por quem os sofre nos grandes centros urbanos. É preciso revisitar essa história e reconstruí-la a partir de um olhar feminino, negro, matriarcal, poético, lírico, onírico”, aposta Tatiana.

A ideia de levar aos palcos a história clássica que, em adaptação para o cinema, foi vencedora de três premiações no Oscar, partiu de Felipe Heráclito Lima. Ao se deparar com uma pesquisa sobre a quantidade inacreditável de trabalhadores em regime análogo à escravidão em fazendas de búfalo da Ilha de Marajó (PA), o artista questionador percebeu o quanto o assunto, até então por ele ignorado, precisava ser debatido.

“Senti a necessidade de falar sobre questões urgentíssimas como essa, porque é enorme a quantidade de pessoas iludidas por uma boa oportunidade de trabalho que, por fim, é submetida a um regime desumano dentro de algumas distorções realizadas dentro do capitalismo – que não pode se impor sobre os valores humanos. Isso mexe muito comigo, e pensei nesse projeto como uma plataforma de falar de todos estes assuntos que precisam ser vistos e debatidos a partir do nosso passado colonial nesta sociedade escravocrata”, resume.

Além disso, para Carmo Dalla Vecchia, “Falar sobre este tema no palco é ter a chance de participar de um ajuste, de uma retratação, de assumir responsabilidades, de tocar o coração de outros para pensarmos nos nossos preconceitos. De entender que, antes de dizer que não somos preconceituosos, devemos pensar nos gestos, nas falas, nos momentos que podemos estar ferindo a liberdade e magoando pessoas de uma maneira naturalizada pela nossa história”, pondera o ator, que dividiu os ensaios com as gravações da novela “Cara e Coragem”.

O atual momento do país foi determinante para a montagem contar com David Júnior no elenco. “Estamos tocando numa ferida social, econômica, estrutural do nosso país que precisa ser falada. Me sinto muito realizado como artista pelo tema e pela equipe técnica incrível que conseguimos reunir neste trabalho. Enquanto tivermos pessoas sendo descartadas da sociedade apenas por representar o seu lugar de negro, com todo este discurso de ódio, invisibilidade e descaso com os corpos negros precisaremos colocar estes assuntos em voga. É importante estar em cena no momento em que estamos vivendo, falando dessas mazelas antigas e, ao mesmo tempo, tão atuais na nossa sociedade”, pontua David.

SERVIÇO:
Teatro I – CCBB RJ (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro)
Temporada: 16 de novembro a 16 de dezembro
Quarta a sábado às 19h30 | Domingo às 18h*
*Não haverá espetáculo nos dias 24/11 e 02/12
As sessões estão sujeitas a alterações de elenco.
Na sessão do dia 20 de novembro haverá acessibilidade com intérprete de libras e audiodescrição
Ingressos na bilheteria física ou no site do CCBB 
Classificação indicativa | 12 Anos

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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