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“Coringa”, de Renata Mizrahi, aborda os contrastes sociais da Zona Sul

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Observadora perspicaz do cotidiano, a autora Renata Mizrahi — vencedora do Prêmio Shell em 2015, com a peça “Galápagos” — ficou impressionada com um quiprocó que tomou conta da Praça Nossa Sra. da Paz, em Ipanema, pouco antes da pandemia. Frequentadora do local com o filho pequeno, Gael, ela viu uma babá ser acusada, sem provas, de envenenar parte do gramado, com o suposto intuito de matar cachorros. O incidente, que colocou em primeiro plano não só a rixa entre mães de cães e de crianças, mas a questão da coexistência e os contrastes sociais da Zona Sul, inspirou Renata a dar forma ao texto “Coringa”.

Assim, as atrizes Bianca Sacks e Bruna Macaciel, da Cia DUE, que estavam em há cinco anos estamos conversando com a Renata sobre a ideia de montar uma peça, ganha agora os palcos no Espaço Rogério Cardoso, na Casa de Cultura Laura Alvim.

As atrizes dão vida às personagens Lia (Bianca Sacks) e Mara (Bruna Macaciel), duas estranhas que se encontram em um apartamento em Ipanema para discutir quem deu veneno de rato a Coringa, o cachorro de Mara que quase morreu. Enquanto Mara tem certeza de que foi a babá do filho de Lia a culpada, e deseja uma punição, Lia, por sua vez, culpa Mara por permitir que seu cachorro invada a área das crianças em vez de ficar restrito ao Carandiru, nome do espaço destinado aos cães.

Este embate que beira o nonsense, propõe uma crítica, com humor ácido, à nossa distópica realidade, feita de tantos paradoxos — afinal, em um ambiente urbano, na Zona Sul carioca, a riqueza convive de perto com a pobreza, naturalizando absurdos. Assim, fica em evidência na peça a “branquitude” e suas mazelas.

“Falamos da bolha. Essa encenação é para criticarmos essas situações. Nossa proposta é gerar um debate sobre o privilégio da elite branca e como isso, constantemente, leva à cegueira e a um enorme abismo social. A quem pertence a verdade? Todo mundo tem a sua e ninguém quer abrir mão dela. Gosto de observar o macro pelo micro, colocando densidade em situações aparentemente banais e cômicas, mas propulsoras de reflexões”, diz a autora e diretora.

Aliás, Renata optou por uma concepção minimalista, que vai na direção do teatro surrealista, dando luz à própria situação absurda que o texto apresenta. “A encenação tem o objetivo de revelar a hipocrisia das personagens, sem medo de explorar mudanças bruscas de jogo de cena a cada degrau da peça”, explica.

A cenografia e figurinos são de Guilherme Reis (vencedor na categoria Melhor Direção de Arte do Prêmio FICC 2019 de cinema) e a trilha sonora e o design de som levam a assinatura de Felipe Dias. O desenho de luz é dos iluminadores Rommel Equer e Maurício Fuziyama.

Serviço
De 13 de janeiro a 12 de fevereiro
Sextas e sábados, às 19h
Domingos, às 18h
Espaço Rogério Cardoso – Casa de Cultura Laura Alvim (Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema)
Telefone: (21) 2332-2016
Classificação: 14 anos.

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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