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Jorge da Capadócia: Filme sobre o santo guerreiro é protagonizado por Alexandre Machafer

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A indústria cinematográfica brasileira não tem o hábito de produzir obras de teor épico, Jorge da Capadócia é a primeira obra cinematográfica a retratar a história do guerreiro São Jorge, um dos santos mais populares do cristianismo e símbolo presente em culturas de todo o mundo.

Jorge da Capadócia

Não é como se não fosse uma boa ideia, na verdade era uma ótima oportunidade mesmo a de tentar criar um viés épico dentro do cinema brasileiro, com locações internacionais para contar a história de uma das mais amadas figuras religiosas no Brasil. Era algo que poderia ter se transformado em uma produção marcantes de um novo segmento cinematográfico no país, e ainda acredito que um debate possa sim surgir a respeito dessa possibilidade. Infelizmente, o resultado final de Jorge da Capadócia não é tão positivo quanto partes isoladas dentro do projeto. Mesmo assim, a coragem de encarar a empreitada não pode ser subestimada, e essa é a afirmação que permeia a produção: podemos acusar Alexandre McHafer de muitas coisas, mas falta de ousadia não é uma delas.

O cara é literalmente O Nome por trás de Jorge da Capadócia – diretor, produtor e protagonista. Corajoso ou cara de pau, McHafer estreou no cinema há seis anos atrás, em O Filho do Homem, que pode-se imaginar, por seu novo filme, de quem se tratam ‘filho’ e ‘homem’. Aqui, ele não tem medo do perigo: o filme é em boa parte filmado na Turquia, exatamente na região da Capadócia, seu elenco não é pequeno (e temos grandes atores entre eles), e seus efeitos especiais não são discretos. Logo, o multitarefas não teve receio de se encalacrar todo, e esse peito de não tentar sequer fazer algo modesto, é um excelente mostruário para não desistir dos seus sonhos, sejam eles grandes ou pequenos.

Provavelmente o que mais falta a McHafer é experiência, e talvez um pouco de modéstia, coisa que não causa mal algum. Para ser capaz de enfrentar a empreitada que ele se propôs, é certamente necessário passar por alguns campos menos agigantados para que os trabalhos acabem moldando o que lhe falta no início da carreira. Aliás, não se pode negar que, ao contrário de muitos diretores que estejam por aí lançando filmes, o rapaz aqui é desprovido de qualquer conhecimento estético. Jorge da Capadócia tem passagens muito bem conduzidas, todos os planos exteriores turcos são de encher os olhos, e sua condução de atores não é falha.

Mas, um dos problemas principais de Jorge da Capadócia tem a ver com a concentração de eventos. O roteiro de Matheus Souza (como o diretor de Apenas o Fim veio parar aqui???) obviamente precisa condensar situações da saga de Jorge, e ainda que o resultado não seja o desastre de algumas biografias, além disso, ainda deixa bastante a desejar a correria que se estabeleça em muitos momentos. Outro problema é o quanto tem de desnível claro entre grandes profissionais como Roberto Bontempo, Miriam Freeland, Cyria Coentro e Adriano Garib, e McHafer como ator. Ele fez a escolha dos melhores profissionais possíveis para estar ao seu lado, mas isso justamente evidencia seu manancial interpretativo.

Um capítulo à parte inclusive é a participação de Coentro, uma atriz de ilimitados recursos que ainda não teve uma chance à sua altura, e que está formidável aqui, nos poucos momentos que tem. Atrizes como ela e Freeland precisam de um espaço razoável para brilhar, e embora o veículo não a coloque no centro das atenções, ela cria esse momento para si. Ela é o grande pilar da emoção do filme, suas cenas estão entre as melhores de Jorge da Capadócia, e quando a mãe de Jorge se despede da produção, é muito óbvio que o filme sentirá falta dessa grande intérprete. Enquanto isso não acontece, o espectador precisa aproveitar do que ela tem a oferecer.

Com erros e acertos, a média final alcançada do todo é desencontrada de seus detalhes, Jorge da Capadócia segue em frente muito mais como a inspiração acertada para um projeto do que exatamente com a realização da mesma. Com a mão de um diretor mais azeitada para esse mastodonte, poderíamos ter um grande momento aqui. Como o projeto é inteiro de McHafer, o que precisávamos era ter desejado que ele tivesse ganhado mais bagagem antes de fazê-lo. Isso agora é passado, e se tiver que criar novas inspirações para o futuro, que o filme encontre autores mais preparados para os próximos… santos? Quem sabe…

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