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“Beleza Fatal” apresenta sua locomotiva no trilho certo

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Vingança, justiça e poder, Camila Queiroz, Camila Pitanga, Giovanna Antonelli e grande elenco estrelam “Beleza Fatal.

É surreal pensar que “Beleza Fatal“, a primeira novela do MAX e aposta inicial do streaming para ocupar uma fatia de mercado existente, estreia finalmente, após o encerramento da empresa que o gestou. A novela que promove a estreia de Raphael Montes como autor do gênero era um projeto da finada HBO para estabelecer no Brasil um ponto de conexão já existente em outros países, como a Turquia e a Coreia do Sul. Com o crescimento e a difusão (inclusive no país) dos ‘doramas’ e das novelas turcas, o mercado internacional começou a querer entender o nosso modo de produção acerca de um produto de exportação inicialmente nosso, e que dominamos com exclusividade por tantas décadas. 

O resultado disso foi a contratação de Sílvio de Abreu para chefiar uma divisão ligada à criação de conteúdos audiovisuais com origem no melodrama, ou seja, as nossas novelas. Nada melhor do que o homem por trás de “A Próxima Vítima“, “Cambalacho” e “Guerra dos Sexos para tal, e o mesmo enxergou em Montes um provável vislumbre do que ele um dia foi, na juventude. Autor de best-sellers de suspense como Dias Perfeitos (cuja adaptação em série já está pronta) e Jantar Secreto, Montes vêm também da bem sucedida investida da Netflix em série sua, Bom Dia, Verônica; ou seja, com certo atraso, talvez seja o momento certo para a estreia de Beleza Fatal

Hoje, a HBO não existe mais, foi absorvida pelo MAX dentro do conglomerado constituído pela Warner Bros., e a novela, rodada há exato um ano, já foi tornada realidade dentro dessa nova gestão – e que, em breve, apresentará também “Dona Beja, sua segunda incursão no gênero, ao público. O momento, no entanto, é todo dessa superprodução com ares de, com as palavras do próprio Montes, ‘mistura de novela das 7 com novela das 8’. Ou seja, inclusive nisso a cara de Abreu parece mostrar forte, tendo em vista que suas novelas, em um ou outro horário, sempre se mostraram aptas a ambos. 

A história segue Sofia desde a infância, que fica orfã após uma série de eventos provocados por Lola. Sua trajetória cruza com a da família Paixão, cuja figura central é Elvira, uma segunda mulher que tem contas a serem pagas com um cirurgião plástico que deixou sua filha em coma. Essas três mulheres são interpretadas respectivamente por Camila Queiroz, Camila Pitanga e Giovanna Antonelli, as protagonistas do folhetim e personagens que farão a narrativa avançar. Entre os protagonistas masculinos, temos Caio Blat, Marcelo Serrado, Augusto Madeira e Murilo Rosa. 

O esquema no qual “Beleza Fatal” vai servir o público lembra os moldes com a qual a Globoplay lançou “Todas as Flores“, um sucesso há dois anos atrás. Com duração de 40 capítulos, a novela terá cinco deles semanalmente jogados na plataforma, a partir de 27 de janeiro, dia da estreia. Com um visual que tanto Montes quanto a diretora Maria de Médici atribuíram a uma explosão quente, que pode ir de uma inspiração a Pedro Almodóvar até o naturalismo que nossas novelas apresentam, criando esse quadro sedutor e moderno que parece ser a pedida dos novos tempos. 

Confesso: fui criado à base de novela, como também afirma o autor. Como ele, cresci fascinado com o que me era apresentado no passado de “Éramos Seis” e no presente de “Vale Tudo“. Na violência de “Corpo Santo” e na inocência de “Direito de Amar“. No sarcasmo de “Que Rei Sou Eu?” e na densidade de “Renascer“. Na fé de “A Viagem” e na galhofa de “Quatro por Quatro“. Saber que uma pessoa tão apaixonada conseguiu ter voz e se tornar um raro autor muito jovem a produzir uma primeira novela como titular, é uma expectativa para qualquer amante de boa dramaturgia – como eram todos esses exemplos que citei e tantos outros. Compartilho com todos esses profissionais do nervosismo da estreia de “Beleza Fatal” porque, como eles, também desejo que nossa teledramaturgia volte a tempos onde a criatividade imperava, e os remakes não eram uma aposta segura, mas uma exceção. 

O trio de protagonistas, e a empolgação com que três mulheres tão envolvidas com o formato apresentaram na apresentação do projeto, me parecem suficientes para acreditar no sucesso e na qualidade, até na ousadia do que vem por aí. Especialmente Pitanga me soou emocionada de verdade na coletiva de imprensa, onde testemunhei um carinho genuíno entre aqueles profissionais e sua vontade coletiva de entregar algo que, como dito, inaugura uma nova porta de possibilidades a um campo que parece estagnado. Talvez seja preciso novas vozes para mostrar que o sucesso de um material de teledramaturgia pode inovar, e até revolucionar, mas sem perder as bases do que é sua excelência. Um bom texto, um bom elenco e uma boa base narrativa, com caminhos para serem desenvolvidos, e uma espinha dorsal atraente. “Beleza Fatal” apresenta sua locomotiva no trilho certo. 

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