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Shakira enche o Engenhão de cores e latinidade

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Setlist de Shakira buscou contemplar todas as fases da carreira.

O Estádio Nilton Santos se vestiu com as cores da bandeira da Colômbia na noite de ontem (11) para receber o show de Shakira, que pode ser considerada um dos maiores símbolos do país. Aliás, a impressão era de que toda a América Latina estava presente no Engenhão. Era possível ouvir espanhol de várias as partes do continente, e também sotaques de todo o território brasileiro. Isso se deve porque, talvez para compensar os quase 14 anos sem show no Rio de Janeiro (o último foi no Rock In Rio IV, em setembro de 2011).

A maior estrela Pop hispanófona escolheu a capital fluminense para iniciar sua nova turnê, a “Las Mujeres Ya No Lloran World Tour”. Às 21h em ponto as luzes do estádio se apagaram e o telão que compreende toda a extensão do palco exibe imagens de um deserto no qual logo vemos uma Shakira em CGI pisando forte, causando estrondo e se transformando em areia.

Logo ela se regenera em uma versão constituída de uma espécie de metal, que é o momento em que a própria chega, com um macacão branco e óculos futurista, acompanhada de sua trupe, vindo pelo corredor que separa a pista comum e os dois lados da pista premium. Porém, logo nesse início um problema técnico comprometeu a execução de “La Fuerte”, do álbum de 2024 que dá nome à turnê. O telão também apresentara travamentos na transmissão das imagens da entrada da cantora. Com isso, a estrela teve que se dirigir mais cedo à plateia, agradecendo em português e se desculpando pela falha, “Primeiro show. Acontece”, disse em inglês. Parece que alguém esqueceu de ligar o ponto de ouvido da cantora.

A segunda música também foi uma composição da fase mais recente, “Girl Like Me”, parceria da colombiana com o Black Eyed Peas de 2020. Retrocedeu um pouco mais com “Las de La Intuición”, do álbum “Fijación Oral”, de 2005, que emendou em uma versão encurtada de seu primeiro grande sucesso (principalmente no Brasil) “Estoy Aquí. Problema resolvido, a plateia pôde começar a se esbaldar com a diva Pop latina ao longo de duas horas e meia de apresentação.A segunda música também foi uma composição da fase mais recente, “Girl Like Me”, parceria da colombiana com o Black Eyed Peas de 2020. Retrocedeu um pouco mais com “Las de La Intuición”, do álbum “Fijación Oral”, de 2005, que emendou em uma versão encurtada de seu primeiro grande sucesso (principalmente no Brasil) “Estoy Aquí”.

Publico brasileiro mandou mensagem para Piqué. 

Não é novidade ou segredo que Shakira passou por um dissabor recentemente com a traição do ex-marido, o jogador espanhol Gerard Piqué, pai de seus dois filhos – que apareceram cantando no telão em animação por rotoscopia na música Acróstico. O tema do novo álbum é justamente a volta por cima após uma derrota e ela não deixou de compartilhar esse sentimento. A plateia manifestou sua solidariedade entoando o coro de “Ei, Piqué, vai tomar…” (você sabe o resto, né?).  

“Sabem que nos últimos anos eu passei por alguns desafios. Mas, certamente, aprendi algo, é que as quedas não são o fim, mas o começo dos voos mais altos. E nós, as mulheres, depois de cada queda, nos levantamos mais sábias, mais fortes, mais duras. E se queremos chorar, choramos e se não queremos chorar, faturamos.”, discursou em português. 

O repertório buscou contemplar todas as fases da carreira, mas pesou a mão nas músicas mais novas. Das lançadas em 2024 foram dez. Para os fãs mais casuais isso pode ter sido um tanto frustrante, embora os principais hits tenham marcado presença, e foram esses os momentos de grande entusiasmo da plateia, soltando a voz em “Hips Don’t Lie”, “Whenever, Wherever” e “Loca”. Há também alguns resgates como “Don’t Bother”, que não era executada desde 2008, a clássica “Pies Descalzos, Sueños Blancos”, certamente a mais carregada de nostalgia, precedida de um recorte em flashback de quando a cantora era iniciante. A musica retorna após 17 anos fora do setlist e “Poem to a Horse”, que foi apresentada ao vivo pela última vez em 2003. Além disso, foi a estreia de “Addicted to You”, do disco “Sale el Sol”, de 2010, e ainda coube uma versão de “Mama África” de Chico César, em versão acústica e intimista. Segundo a colombiana, é a música que ela canta para os filhos antes de dormirem.

Com um pique invejável, executa dança do ventre com destreza e enlouquece os fãs com um twerk elegante.

Shakira compensa a falta de poder de fogo das músicas mais novas com o carisma e o domínio de cena que a fizeram se tornar um dos maiores nomes da música global. Com um pique invejável, executa dança do ventre com destreza, enlouquece os fãs com um twerk mais elegante do que o que se vê por aí, toca guitarra, dança com robôs (na verdade seus dançarinos assumindo papel cibernético com fidelidade). Ela também recorre às “facilidades” dos shows ao vivo de hoje em dia na seara do pop como playback e VS em uma e outra faixa. Porém, a banda ao vivo (ainda que também com retoques dos verdadeiros estúdios que se tornaram as mesas de som de hoje em dia) garante a organicidade o tempo todo.

O palco demonstra a ambição dessa nova turnê da artista, com suas dimensões, elementos cênicos e uma engenharia arrojada, a parte central do telão eventualmente se recolhe formando três partes com uma outra estrutura de LED mais ao fundo. Pirotecnia e alguns efeitos com ilusão 3D compõem o espetáculo. Tudo em cores quentes (afinal, a latinidade dá o tom) e adornado pelas pulseirinhas luminosas que parecem ter se tornado item obrigatório em shows de música. O único porém são algumas animações em CGI que parecem terem sido feitas por uma IA rudimentar.

A parte regulamentar do show se encerrou com “Waka Waka (this Time For Africa)”, música feita para a Copa do Mundo da África do Sul, de 2010, que, aliás, não só é considerada o melhor tema de copas já feito como se tornou obrigatória nos shows, principalmente no Brasil e América Latina, embora o único país da vizinhança que possa ter lembranças realmente boas daquele mundial é o Uruguai. Na volta para o Bis, surge uma loba gigante no palco com laser saindo dos olhos na música She Wolf. A saideira é BZRP, com Shakira e as dançarinas indo para o corredor no meio do público e chuva de papel picado encerrando a festa. Problemas técnicos à parte (“Ojos Así” foi outra música com falha em seu início, mas sem interrupção), foi um show da estatura que a cantora adquiriu nessas três décadas fortalecendo ainda mais os laços com os fãs brasileiros.

Confira o Setlist do show de Shakira:
1. La fuerte
2. GIRL LIKE ME
3. Las de la intuición / Estoy aquí
4. Empire / Inevitable
5. Te felicito / TQG
6. Don’t Bother
7. Acróstico
8. Copa Vacía / La bicicleta / La tortura
9. Hips Don’t Lie
10. Chantaje
11. Monotonía
12. Addicted to You / Loca
13. Soltera
14. Cómo dónde y cuándo
15. Última
16. Ojos así
17. Pies descalzos, sueños blancos
18. Mama África
19. Antología
20. Poem to a Horse
21. Objection (Tango)
22. Whenever, Wherever
23. Waka Waka (This Time for Africa)
Bis: 24. She Wolf
25. BZRP Music Sessions #53

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