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“Lady traz Susana Vieira sendo… Susana Vieira, ou seja, uma diva a divar

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Que a vida é cheia de som e de fúria não é novidade, William Shakespeare levantou essa lebre, faz tempo, ali por 1606, quando (estima-se) “Macbeth” foi encenado pela primeira vez, antes de ser publicado – o que aconteceu em 1623 -, retratando a realidade de um monarca escocês na ativa de 1040 a 1057. O tal monarca sabe ser mau feito pica-pau para ser dar bem, mas sua companheira, essa, sim, é chave de cadeia. Especialistas na dramaturgia do bardo, defendem que sua maldade resvala na loucura. Fato é: essa senhora é um signo de força, a ponto de dizer “Toma meu leite por fel. Parece a flor inocente, mas seja a serpente por baixo dela”. Nada mais justo do que ela, Lady Macbeth, abrir caminhos no regresso de Susana Vieira aos palcos. 

Susana

Na TV brasileira, a persona que ela construiu ao longo de quase seis décadas de sucesso é raio, estrela e luar. Foi mocinha e foi bandida, gerou polêmica, mas calou a boca de seus detratores. Levantou poeiras e deu a volta por cima de seus infortúnios, sem nunca sair do radar da telinha. Lady Macbeth é uma santinha perto de algumas das personagens que a consagraram em folhetins da TV Globo, vide “Anjo Mau” (1976) e “Por Amor” (1997).     

Muitas dessas mulheres que integram seu repertório de feitos são revisitadas por Susana (cujo nome real é Sônia Maria Vieira Gonçalves) num espetáculo que evoca a femme fatale de Macbeth já no título: “Lady”. O texto, escrito por Vana Medeiros, usa como mote o empenho de uma atriz para encenar Shakespeare a fim de deixar Susana Vieira soltar o verbo e, com ele, suas cobras e seus lagartos, suas idiossincrasias e suas virtudes (as cênicas são muitas). Aliás, não se trata de uma narrativa de jornada – com começo, meio, fim – e, sim, de um talk-show, qual um stand-up acridoce, dos mais divertidos, no qual sua estrela relembra situações que passou desde menina até chegar aos 82 anos. 

Sob a direção de Leona Cavalli, Susana entra em cena e fala, com ironia e inteligência, sob uma luz apolínea que contrasta com seu fraseado dionisíaco. Dele brotam recordações (dos idos de sua infância, das vivências na Argentina com mãe e pai, da irmã, de casamentos atribulados e de um filho amado) e causos de bastidor. Revive por exemplo a aula de beijo técnico que recebeu de Tarcísio Meira e resgata um incêndio no meio de uma montagem de “A Partilha”. Cada memória é deixa para que o público ria (com ela) e desopile suas inquietações num clima de parlatório onde veneno e analgésico se misturam. Susana diva e a gente se embala em seu memorial.

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