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Bush revive sua trajetória no Vivo Rio

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Passada quase hora e vinte (1h18 para ser mais preciso) de um show repleto de clássicos, o público, que mesclava os que cantavam todas as músicas com a letra na ponta da língua e os que apenas conheciam as mais radiofônicas pelo refrão, quedava-se, consciente ou não, envolto nessa forte conexão que o movimento Grunge ensinou, reverberando até hoje aquele que talvez tenha sido o último movimento de suma relevância no rock. Mas em se tratando de Bush, o mais adequado é se referir como pós-Grunge, contexto que engloba as bandas que surgiram após a morte de Kurt Cobain e carregam uma forte influência daquela cidade localizada no noroeste estadunidense que entre o final dos anos 1980 e início dos 1990 serviu de usina sonora, Seattle. O líder da banda, Gavin Rossdale, é engajado em manter viva aquela chama dos áureos tempos, passando a limpo trinta anos de história desde o lançamento de “Sixteen Stone”, com um novo trabalho a caminho. Jogando para a plateia, que o Bush encerrou a turnê brasileira na noite dessa quarta-feira, 2 de abril.

Bush

Em um Vivo Rio transpirando noventismo, o início se deu pontualmente às 21h, abrindo, com “Everything Zen“, que também abre o debut do Bush, lançado em 1994. Ok, essa é mais conhecida pelos fãs mais dedicados. Mas não demora nada para o bicho começar a pegar de verdade em “Machine Head“, deixando a plateia explodir o gogó. Logo após um salto para os tempos modernos com “Blood River” (do álbum “The Kingdom”, de 2020), a máquina do tempo aciona os controles para 1999 com “The Chemical Between Us“, hit da fase em que o grupo parecia querer se desgarrar um pouco do espectro de Seattle.

O show, embora essencialmente clássico, é relativamente generoso com o repertório saído de trabalhos mais recentes que muita gente não ouviu, como o mais recente “Art of Survival”. Dele saíram três faixas: “Identity“, “Heavy Is The Ocean” e “More Than Machines” com boa recepção do público mais fiel. Do álbum de 2020 entraram ainda “Flowers on a Grave e Quicksand”, todas com a levada perfeitamente identificável do conjunto, mostrando que nos últimos tempos evitaram se arriscar. Aliás, a turnê do Bush leva o nome de “Loaded”, como a coletânea que compreende toda a carreira.

Se o intuito é passar a limpo a carreira da banda, “Sixteen Stone” obviamente merece destaque, com cinco músicas no total. O seguinte, “Razorblade Suitcase” aparece com apenas duas, Greedy Fly e Swallowed. Essa última Gavin canta acapella. O vocalista também tem momento solo, com vocal e guitarra, em Glycerine. Único membro da formação original, ele domina a cena, mas deixa bastante espaço para os companheiros brilharem. Vale notar que ele é o único britânico remanescente do grupo, que muita gente até se esquece da origem, já que, em plena era do estouro do Britpop, que tinha bandas como Oasis e Blur à frente, o quarteto inglês se voltava para um estilo totalmente sintonizado com o que rolava do lado de cá do Atlântico.

Visivelmente mais disposto do que no show do Lollapalooza Brasil 2025, Gavin não economizou na entrega, afinal não se trata de uma apresentação em um palco secundário onde nem era a atração principal, como no evento em São Paulo do último domingo e sim um show exclusivo para os fãs da banda. Dirigindo pouco ao público, quando o fazia era sempre para agradecer o acolhimento, esbanjando simpatia. A voz e o fôlego também apresentaram uma certa melhora ao que fora visto no Lolla, embora o desgaste ainda seja perceptível (mas o baixista Corey Britz  está ali também para dar um reforço nos backings). Nesse ponto, aquele que serviu de inspiração, o vocalista do Pearl Jam Eddie Vedder, segue em vantagem, apesar de ter a mesma idade – na verdade, um ano mais velho. Ainda assim, junto com Britz, Chris Traynor (guitarra) e Nik Hughes (bateria), continua pregando a importância do rock ruidoso e garageiro dos anos 90 (ainda que em uma vertente um mais domesticada) com o apoio dos fiéis.

Confira o setlist:
Everything Zen
Machinehead
Blood River
The Chemicals Between Us
Quicksand
Greedy Fly
Identity
Swallowed
Heavy Is the Ocean
Flowers on a Grave
Little Things
Bis:
More Than Machines
Glycerine
Comedown

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