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“Sozinho Com Romeu E Julieta” transborda folia no carnaval chamado Evandro Santiago

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Bruxo do solfejo, o maestro Giovanni “Nino” Rota Rinaldi (1911-1979), um danado, traduziu em melodia a poesia do querer interditado ao assumir a missão que o artesão do melodrama Gian Franco Corsi Zeffirelli (1923-2019) lhe deu, no fim dos anos 1960, de compor a trilha sonora de “Romeu & Julieta”. O longa-metragem custou duas mariolas (US$ 850 mil) e faturou uma baba (US$ 38,9 milhões), tendo seu “Love Theme” como canto de sereia, para atrair plateias. Versos foram atribuídos a ele, na sequência do êxito no cinema, compostas por Larry Kusik e Eddie Snyder, tornando-se canção: “A Time for Us”, que o curió Johnny Mathis gravou. A tradução de Nino salta à memória diante o processo que a Trupe Ave Lola faz hoje com a peça de 1597.

Em tempos de “Hamnet” e suas oito indicações ao Oscar, William Shakespeare (1564-1616) está no radar do Pop. Aliás, vira e mexe está, já o de Zeffirelli (coitado!) desse ninguém fala, por maior que tenha sido (vide “O Campeão”). A tônica folhetinesca que o cineasta encontrou para falar da paixão entre Julieta Capuleto e Romeu Montecchio não é diferente da que Ana Rosa Genari Tezza encontrou ao encenar “Sozinho Com Romeu e Julieta”, porém, a dela é mais solitária.   

Tem um zé-pereira em cena no espetáculo dela, uma escola de samba de um homem só que se chama Evandro Santiago. É, certamente, uma folia viva. O camarada dribla, cabeceia, faz embaixada e mete gol, usando só panos e pedaços de manequins. Ali está sua trupe! 

Em dado momento, os menestréis Arthur Jaime e Breno Monte Serrat, que a gente nunca vê – mas nossos tímpanos ouvem -, entram em cena e embalam um número de Evandro que, se não bastasse, ainda canta bem. É, surpreendentemente uma intervenção delicada. Em cena, tudo é delicado nessa montagem que pega o mármore shakespeariano e busca escavar nele novas verdades e novos sentidos. 

Além disso, a estratégia parte de um mote ficcional. Um ator de nome desconhecido (Evandro) se encontra só em um ateliê esquecido, um pedaço de um teatro fechado por razões políticas. Ali, entre bonecos e figurinos abandonados, o sujeito decide reviver as cenas do último espetáculo que ensaiava antes da interrupção: o clássico “Romeu e Julieta”, de Shakespeare. 

O que se vê é uma olimpíada de expressões corporais, calçada numa engenharia de som fina. A iluminação apolínea de Beto Bruel e Rodrigo Ziolkowski assegura à direção a serenidade exigida por uma dramaturgia de intimismo. Em meio ao carnaval que o Ator faz com as falas do bardo, a se dividir entre todos as personagens, ele se encasula em sua necessidade de celebrar a essencialidade do teatro e a natureza analgésica de Shakespeare na arte. 

Difícil não pensar que o Brasil, num “Supercine” da Globo, lá em 1988, torceu para o Romeu de Zeffirelli ser feliz com a amada Julieta à base de uma dublagem linda, com Rodney Gomes e Nair Amorim nos papéis centrais. 

Saiba mais sobre a peça!

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