- Publicidade -

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno investe pesado na atmosfera bizarra e assustadora

Publicado em:

Exatos 20 anos após a primeira adaptação estrear, Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno chega às telas com a obrigação de aplacar um público que tem recebido respostas diversas relacionadas às adaptações de videogames. De acordo com o que apurei (logo eu, que entendo tão pouco do universo), o filme é quase uma literal adaptação da continuação do jogo, igualmente ambientado na mesma cidade fantasma anterior. No entanto, isso importa menos do que a qualidade intrínseca que os envolvidos constituem aqui, para construir Cinema, e não outra coisa qualquer. A partir da perspectiva de tratar-se também de estarmos diante de mais um longa de horror em um mês repleto deles, mais alguns acréscimos precisam ser feitos às análises do momento: qual a necessidade de cada um deles, suas diferenciações e suas intenções particulares. 

O que é curioso observar aqui, por exemplo, é o retorno de Christophe Gans ao leme deste barco. Ele já era o capitão de Terror em Silent Hill, lançado com algum sucesso em 2006, e criou um universo que fazia sentido aos fãs do material original, criando um raro laço entre os games e o cinema que deram certo do ponto de vista dos acertos de adaptação. Aqui, existe uma dose maior de ousadia no direcionamento da narrativa, quando apropriadamente é escolhido um caminho de delírio crescente, em que os limites entre a realidade e o pesadelo não se definem nem mesmo em seu desfecho. Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno é, de muitas formas, uma anomalia do mercado; uma produção que obviamente quer encontrar o diálogo, mas aposta em curvas radicais para tal resultado. 

Para quem não o conhece, Gans é uma espécie de Guillermo del Toro maldito. No sentido de construir cenários não apenas grandiloquentes, como absolutamente significativos para sua realização, onde a criatividade alça voos certeiros na direção da construção completa. Em Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno, a ambientação acompanha a radicalidade das escolhas do roteiro, que não é necessariamente assertivo, mas que não podemos negar suas virtudes em avançar em terrenos desconhecidos. Gans é o maestro ideal para o sonho arremessado no vazio, porque ele transforma cada plano em experiência única e destacada da obra, em situação contrastante. É como se cada momento do filme se encerrasse em si, não permitindo outra recepção que não a da estranheza. 

Nesse sentido, acompanhar uma história de amor perdida para a morte é algo, no mínimo, acertado de ser feito. Em meio ao desespero da perda, ao horror de se ver sozinho no auge da paixão, é uma porta conhecida para a loucura, que desemboca no medo, que atravessa paredes rumo ao horror. Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno, ainda que não acerte na continuidade do que mostra, investe pesado na atmosfera bizarra e assustadora, conseguida graças à uma direção de arte e uma criação de personagens rara de ver dentro do universo esperado do gênero. Antes de ser um filme bom ou ruim, é acima de tudo uma experiência que não se paraleliza a outras recentes, porque seu caminho não busca a certeza, mas o exato oposto; é na dúvida que o filme tenta criar raízes. 

Não há como recusar um convite cheio de ousadia e personalidade como o de Gans, que não busca recriar nada do que vem sendo feito. Seus pés criam um olhar menos engessado para o cinema de horror, jogando com as sensações e o que é capturado pelo olhar, sem buscar uma decisão lógica. As respostas de um projeto como esse são de ordem menos concretas; estamos falando sobre uma tentativa de conversar com os conceitos do imaginário coletivo para assombrar e nos conectar a uma narrativa típica do melodrama. Se o cineasta aposta nessa ruptura com as tradições do gênero, unindo-o a outros gêneros e adicionando ambição desmedida rumo ao seu visual, não é porque o espectador poderá sentir-se frustrado que a experiência não é válida. 

Ao mesmo tempo, não é possível atestar qualidade exemplar a Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno; é uma obra de aspecto singular dentro do universo do blockbuster de gênero. Ele recusa as facilidades de amarrar o olhar do espectador em uma direção específica, e abre as portas rumo a uma ideia de experiência imagética em seu aspecto mais puro. O horror vem acompanhado exclusivamente da construção da imagem, deixando a cargo do roteiro uma validade menor. O casal protagonista não ter carisma, ou os personagens não terem a profundidade que deveriam, acabam sendo aspectos menores dentro de um filme que busca o visual mais espetacular possível, muitas vezes de maneira gratuita. Mas… essa não foi a maneira como o Cinema se apresentou, há mais de 100 anos atrás? 

Mais Notícias

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Nossas Redes

2,459FansGostar
216SeguidoresSeguir
125InscritosInscrever
4.310 Seguidores
Seguir
- Publicidade -