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Bloco Bafo da Onça celebra reconciliação histórica com o Cacique de Ramos

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A presença do Cacique de Ramos no desfile de 70 anos do Bafo da Onça, na segunda-feira de carnaval (16/2), prolonga um movimento iniciado no ano passado, quando a roda de samba do Cacique se apresentou, pela primeira vez, na quadra do bloco, no Catumbi, durante o evento Mergulho da Onça — realizado em parceria com o G.R.B.C. Glorioso Mergulho à Fantasia. O encontro, até então improvável, reconfigurou uma relação historicamente marcada pela rivalidade e reposicionou duas das mais longevas agremiações do carnaval carioca em um mesmo horizonte de celebração.

Fundado em 1956, em um botequim do Catumbi, por Sebastião Maria, o Tião Maria, figura conhecida no bairro por desfilar sozinho fantasiado de onça antes mesmo da criação formal do bloco, o Bafo atravessa gerações como uma presença contínua na paisagem cultural da cidade. Ao completar sete décadas, permanece como o segundo bloco em atividade mais antigo do Rio, atrás apenas do Cordão da Bola Preta.

Neste ano, o desfile acontece em novo percurso, mantendo-se no circuito oficial do carnaval, mas deslocando-se para as ladeiras de Santa Teresa. A mudança não rompe com sua tradição, mas atualiza uma dimensão fundamental do carnaval de rua, a experiência do deslocamento coletivo como forma de produzir cidade.

O aniversário coincide com um momento de reconstrução. Em 2020, um incêndio atingiu a sede histórica do bloco, no Catumbi, destruindo instrumentos, fantasias e documentos acumulados ao longo de décadas. A perda interrompeu materialmente uma continuidade construída desde os primeiros desfiles conduzidos por Tião Maria e seus contemporâneos.

É nesse contexto que o Bafo estreia uma nova bateria, com mais de 100 ritmistas. Os instrumentos foram adquiridos por meio de uma emenda parlamentar do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ), permitindo recompor a base sonora da agremiação. O processo foi acompanhado por Roberto Saldanha, o Capilé, presidente do bloco há mais de 50 anos e figura central em sua permanência ao longo das transformações do carnaval carioca.

Mais do que uma comemoração, o desfile de 70 anos inscreve-se como gesto de continuidade. Ao mesmo tempo em que recompõe sua estrutura material, o Bafo da Onça reafirma sua vocação original: ocupar a cidade como espaço de encontro, memória e invenção coletiva.

Serviço
Bafo da Onça — desfile de 70 anos
Segunda-feira de carnaval, 16 de fevereiro
Concentração às 10h
Rua Monte Alegre, em frente ao nº 306
Até o Largo das Neves
Evento gratuito

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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