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“Duvido” reflete sobre o estado de insegurança

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Vivemos em uma sociedade que valoriza histórias de superação, decisões rápidas e confiança inabalável. Mas e se não superarmos? E se estivermos inseguros? E se caminharmos aos tropeços? São essas perguntas que conduzem o espetáculo “Duvido”.

Com texto e atuação de Marcéli Torquato e direção de Camila Nhary, o monólogo nasceu da vontade da autora de investigar a dúvida como força criativa e propor um espaço onde desconfia-se das certezas. 

O ponto de partida é o grande arquétipo da dúvida na literatura ocidental: Hamlet, de William Shakespeare. Um homem atravessado pela hesitação persistente, que investiga até as últimas consequências o preço de agir e o de não agir. O famoso monólogo “Ser ou não ser?” atravessa o espetáculo como confronto direto com a nossa própria pergunta sobre o que significa seguir, quando tudo parece incerto.

Na trama, uma atriz espera Hamlet, que está atrasado. Enquanto ele não chega, o palco se transforma em aeroporto, casa e pensamento. Entre malas, voos, dúvidas e perguntas, a peça percorre histórias de infância, maternidade, amor, medo, luto e desejo, costurando textos clássicos de Shakespeare com temas contemporâneos. Em diálogo direto com o público, a personagem cria um jogo entre hesitação persistente e certeza, entre o que está ensaiado e o que acontece na vida. Hamlet desvenda um assassinato através de uma peça de teatro: em “Duvido”, o teatro também entra como motor, mas aqui para ensaiar a vida. A personagem se sente segura no palco, é o lugar onde ela acredita que tudo está sob controle, tudo está tudo ensaiado. 

“A peça mostra a saga de uma mulher que está diante do público em busca de validação, esperando que alguém diga para ela o que fazer, como seguir, o que vestir. Acredito que é uma busca que todos nós fazemos enquanto passamos pela vida, buscamos nossos espelhos, nossos pares, nos entendemos e nos encontramos nos outros”, descreve a atriz e autora Marcéli Torquato. “Esta é uma peça de perguntas sem respostas, um elogio a seguir em frente catando cavaco, de seguir sem certezas. A certeza sempre é uma aposta”, completa.

Atriz e uma das fundadoras do grupo Bando de Palhaços, Camila Nhary faz sua estreia na direção. A artista comenta que o mundo atual, com excesso de informações, nos traz muito mais dúvidas do que certezas. E demonstrar em cena essa linha tênue entre verdades e mentiras foi o mais desafiador. 

“Em tempos de fake news, de redes sociais, filtros e procedimentos estéticos, passamos a duvidar de nós mesmos, das nossas verdades, dos nossos reais desejos e necessidades, da nossa sanidade. O mundo atual, com excesso de informação, nos traz muito mais dúvidas do que certezas”, analisa a diretora. “O espetáculo provoca a dúvida no espectador o tempo inteiro, colocando tudo que é apresentado a ele em xeque. Tudo pode ser verdade, e as verdades se tornam mentira num piscar de olhos”, acrescenta. 

Serviço Temporada: de 19 de março a 12 de abril / Teatro Municipal Café Pequeno: Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon / Classificação: 12 anos / Ingressos:   https://bileto.sympla.com.br/event/117170/d/369551/s/2479295

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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