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Juliana Brizola, neta de Brizola, lança livro

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Trinta anos após Leonel de Moura Brizola (1922-2004) dar um depoimento para historiadores e velhos amigos, em sua cidade natal, Carazinho, RS, em abril de 1996, sua neta Juliana Brizola, ex-deputada, graduada em direito e mestre em Ciências Criminais, lançará o livro “Brizola por ele mesmo. Documento inédito” (Editora Insular)  junto com a jornalista e pesquisadora Rejane Guerra. 

A ideia desse livro nasceu em 2014, quando um conterrâneo amigo de Brizola entregou um caderno para Juliana com a transcrição desta entrevista – datilografada em uma máquina de escrever –  e ela o entregou à jornalista Rejane Guerra, no Rio. As duas que já publicaram o livro “Meu Avô Leonel -Frases de Brizola” (Letra Capital), em 2016, concluíram que esse documento histórico deveria ser registrado. A intenção era publicá-lo em 2022, ano que marcou o centenário de nascimento de Brizola, mas não foi possível. Em 2025 retornaram ao projeto, o que só agora teve êxito, graças ao convite da Editora Insular que conseguiu recuperar o áudio três décadas depois, acessível nesta obra (QR Code). O material originalmente foi gravado em fitas cassete e fez parte de um projeto de “Memória Oral” da Câmara Municipal de Carazinho. Mas por razões desconhecidas, elas não se encontravam nos acervos dessa instituição e não se sabia do seu paradeiro e só agora reveladas ao público, objetivo do projeto.

Este livro  inclui fotos e documentos pertencentes ao acervo da neta Juliana: são carteira profissionais de Brizola piloto, parlamentar, cartas, documentos, além de material de suas primeiras campanhas, os “santinhos”. E fotos inéditas cedidas pelo Museu Olívio Otto, que foram encontradas pelas organizadoras do livro em minuciosa pesquisa em Carazinho.

Durante quatro horas e vinte minutos Brizola conta que até os 6 anos nunca tinha calçado sapatos, teve que começar a trabalhar aos 9 para poder estudar. Este livro vai além de sua história pessoal, pois engloba fatos da vida social e política do Brasil. Por exemplo, quando ele conta um episódio marcante que foi a morte do seu pai camponês, assassinado na Revolução de 1923, quando ele tinha 1 ano, observa-se o cenário histórico da época. Sua mãe alfabetizou os filhos. 

De acordo com os relatos aos 14 anos conseguiu passar para uma escola técnica e na hora da matrícula não tinha certidão de nascimento nem dinheiro para o enxoval. Depois foi para Porto Alegre quando ficou quase um ano na rua, trabalhando como: engraxate, carregador de mala, ascensorista, vendedor de jornal até graduar-se em Engenharia pela UFRGS em 1950, cinco anos depois foi eleito prefeito da capital gaúcha.

Ele se recorda que sem dinheiro para fazer a sua primeira campanha (vitoriosa) para deputado estadual, em 1946, ele criou o seu próprio marketing: “Mandei fazer uns cartazes com o meu retratinho, do tamanho de uma folha A4, que eu pregava com uma tachinha naqueles tapumes. ‘Está bem que os nossos colegas estudantes militares tenham tudo para estudar, livros, pensão e até um pequeno ordenado. Ficamos felizes que eles tenham tudo isso mas porque todos os jovens não têm o mesmo direito?’

Esse depoimento prova que só a educação pública tem o poder fundamental de emancipar um povo. Como governador do RJ construiu 500 Cieps (Centro Integrados de Educação Pública), uma escola integral para crianças de baixa renda – e não era uma escola qualquer – projeto educacional de Darcy Ribeiro e arquitetura de Oscar Niemeyer, popularmente conhecidos por “Brizolões” (foram sucateados por sucessivos governos). Como governador do RS ele construiu 6.300 escolas de madeira batizadas de “Brizoletas” pelos gaúchos. 

O livro será lançado no dia 8 de abril quarta, às 19h, na Livraria Travessa do Leblon.

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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