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“O Último Dia” lança luz sobre medo e violência que atravessam relacionamentos abusivos

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Existem cinco tipos principais de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. E não é raro que esses atos ocorram em conjunto. Inspirado em situações reais, o espetáculo “O Último Dia” estreia no Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, como uma obra potente e necessária de enfrentamento à violência contra a mulher.

Adaptação do livro homônimo de Mariana Reade e Wagner Cinelli, a peça propõe uma reflexão sobre uma realidade que atravessa gerações, classes sociais e territórios. Só em 2025, 1.568 mulheres foram assassinadas no Brasil – o maior número de feminicídios dos últimos anos. 

Com idealização de Ana Capella e direção de Paulo Reis, a encenação aposta em uma dramaturgia direta e sensível, que evita o sensacionalismo e privilegia a escuta, o silêncio e o confronto emocional. “O Último Dia” acompanha a trajetória de Luana, uma mulher que, aos poucos, vê sua relação se transformar em um ciclo de controle, medo e violência. A narrativa evidencia como o abuso raramente surge de forma abrupta, mas se instala de maneira progressiva e frequentemente naturalizada, até alcançar consequências mais graves.

“Escrevi esta peça movida pela esperança de contribuir para uma batalha que atravessa gerações: enfrentar o machismo que se infiltra no cotidiano, naturaliza a violência e ainda insiste em absolver culpados e silenciar vítimas. Diante da tragédia do Brasil de hoje — marcado por feminicídios, estupros e tantas violências que fazem meninas e mulheres sofrerem diariamente —, refletir sobre o machismo é urgente. Tenho esperança de que um dia essa realidade será outra. Que chegará o tempo em que nós, mulheres, possamos simplesmente viver, livres e sem medo”, observa a coautora Mariana Reade.

O espetáculo constrói sua força a partir da precisão cênica e do compromisso ético com o tema que aborda. No elenco, estão Tainá Senna, Eduardo Hoffmann, Ana Carbatti e Julia Tupinambá, que dão corpo e voz a personagens atravessados por conflitos íntimos, familiares e sociais. O elenco sustenta uma encenação de forte carga emocional, em que cada gesto e cada palavra revelam sutilezas da violência cotidiana.

“Vimos o número de feminicídios crescer no ano passado, um panorama desolador. Diante desse quadro, é cada vez mais urgente que não só a imprensa noticie os novos casos, mas que a arte traga este tema à tona. A arte também tem essa função de alertar e conscientizar a população, por isso montar essa peça é tão importante”, comenta a atriz Tainá Senna, que vive Luana. 

“O Último Dia” evidencia que o feminicídio é o desfecho extremo de uma longa sequência de abusos. Ao colocar o público diante dessa escalada, o espetáculo rompe com a ideia de que a violência se resume ao ato final, revelando suas múltiplas formas e permanências.

Serviço: Temporada: de 07 a 29 de abril / Centro Cultural Justiça Federal: Av. Rio Branco, 241 – Centro, / Classificação etária: 16 anos / ingressos: pelo site Sympla (https://share.google/hsmZrH8hN512PsjFa) e na bilheteria do centro cultural, a partir das 17h, nos dias de espetáculo. / Instagram: @oultimo.dia

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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