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“Do outro lado do mar” estreia no Teatro Poeirinha

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"Do outro lado do mar"
Foto: João Milet Meirelles

Em sua primeira montagem no Brasil, texto premiado da salvadorenha Jorgelina Cerritos, autora inédita nos palcos brasileiros, “Do outro lado do mar”  provoca reflexão sobre o trabalho, a solidão e a identidade. Dirigido por Marcio Meirelles, o espetáculo aporta no Teatro Poeirinha até o dia 30 de outubro contando ainda com trilha sonora executada ao vivo por Ramon Gonçalves.

Montada em países como Cuba, Guatemala, Costa Rica e Estados Unidos, a peça ganhou sua primeira tradução para o português pelas mãos de Edu com a colaboração de Marcio. Aliás, essa é também a primeira versão no país de uma obra de Jorgelina que, em 2010, conquistou o importante prêmio Casa de las Américas pela dramaturgia deste texto, originalmente intitulado “Al otro lado del mar”.

A trama se desenvolve em uma praia deserta, onde foi instalado um balcão de atendimento de um cartório municipal. Ali, uma funcionária pública dedicada e prestes a se aposentar espera sozinha alguém que apareça precisando do seu trabalho. De um barco chega um homem jovem, sem nome ou sobrenome, que não sabe onde nasceu, em busca da emissão de um documento que comprove a sua existência. Assim surge uma história carregada de poesia que, com aparente simplicidade, provoca uma profunda reflexão sobre o trabalho, a solidão e a identidade.

“A peça parte do conflito de um jovem personagem que, por não ter certidão de nascimento, oficialmente não existe. Embora pareça absurda, essa situação é realidade para 3 milhões de brasileiros e brasileiras que, sem registro civil, não têm acesso aos direitos mais básicos, como por exemplo o atendimento nos sistemas de saúde e educação”, comenta o ator Edu Coutinho.

Para Marcio Meirelles, que celebra este ano seus 50 anos de carreira, a montagem é um marco deste seu momento profissional. “Estou envolvido com a peça desde o começo do ano, quando fizemos a transliteração e a reposição na cena presencial desse espetáculo que foi criado para uma cena virtual. Todo esse encontro com Edu, Andrea e equipe já é uma celebração, e estar no Rio é sempre uma celebração – principalmente no Poeirinha, esse teatro que tem uma relação de irmandade com o Teatro Vila Velha (BA) e o Teatro Oficina (SP), entre tantos outros. É um lugar onde eu me encontro como artista, como cidadão, como gente, como ser humano”, entusiasma-se.

O diretor considera ainda que montagem tem muitas nuances, camadas, profundidades. “É uma peça sobre a identidade que você tem e a identidade que você é obrigado a ter. As imposições sociais, as estruturas, o sistema que impõe identidades e o que isso provoca em pessoas diferentes. Uma peça que fala daquelas pessoas que estão à margem e daquelas que fazem parte do sistema de alguma forma, mesmo que dentro do sistema estejam em uma posição marginalizada. Esse é o caso de Dorotéia, que é uma pessoa à margem dentro de um sistema. Já o Pescador é um personagem à margem do sistema, à margem de tudo, ele vive do outro lado do mar. E esse mar é uma infinidade de coisas, uma infinidade de conteúdos, é uma imensa profundidade azul, como o mar é”, reflete.

“Esse é um projeto que nasceu no Teatro Vila Velha, que é uma grande incubadora de jovens atores e atrizes empreendedores. Quem vive da cultura em Salvador e em qualquer lugar, tem que fortalecer a natureza empreendedora. E esse projeto hoje está viajando porque tem o Marcio Meirelles e outras pessoas de referência no cenário teatral baiano que, com a força do empreendedorismo que nasce desde a formação do ator e da atriz, tem viabilizado o deslanchar desse espetáculo”, afirma a atriz Andrea Elia.

Ainda que de El Salvador, de onde é natural, Jorgelina Cerritos também tem sido uma parceira do projeto desde o início. “É muito significativo que a peça tenha a capacidade de dialogar com criadores, criadoras e espectadores da cena internacional, pois me confirma a universalidade e a força da palavra dramática, essa palavra que nos habita e nos fecunda para além das fronteiras. Nada mais satisfatório para mim que descobrir, a princípio, que meu texto e meus personagens estão sendo recebidos com afeto, com proximidade, com a escolha de se expressar por meio deles. Espero que o espectador faça junto conosco a viagem que o texto propõe até o vital, até o humano, até aquilo que costuma ser tão fugaz e efêmero como o teatro e como a vida”, encerra a autora.

SERVIÇO:
“DO OUTRO LADO DO MAR”
Temporada: 06 a 30 de outubro
Quando: 5ª a Domingo
Horários: Quinta a sábado às 21h, Domingo às 19h
Local: Teatro Poeirinha (Endereço: Rua São João Batista, 104 – Botafogo)
Ingressos pela Sympla
Classificação Indicativa: 12 anos

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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