- Publicidade -

“Os Bolsos Cheios de Pão” , com Louise Cardoso, no Sesc Copacabana

Publicado em:

“Os bolsos cheios de pão”, montagem formada por duas peças curtas de Matéi Visniec, “O Último Godot” e “Os Bolsos Cheios de Pão” é  uma comédia absurda estrelada por Louise Cardoso e Luiz Octavio Moraes que traz, finalmente, Godot, o personagem icônico de Samuel Beckett, entrando em cena pela primeira vez.

"Os Bolsos Cheios de Pão"
Foto: Cristina Granato

Em “O Último Godot” vemos um embate entre o personagem Godot e o seu criador. Expulso do teatro fechado, Godot acaba conhecendo seu criador, Samuel Beckett em pessoa, que foi também jogado na rua. Godot vê nesse encontro uma possibilidade de existir finalmente, já que é um personagem que nunca entrou em cena. Criador e criatura expressam seu amor incondicional pelo palco e lamentam a tragédia da morte da cultura, mas um afeto vai nascendo entre eles que pode resultar em uma rica parceria artística. Será?

Já “Os Bolsos Cheios de Pão” conta a história de dois senhores que estão indignados porque um cachorro foi jogado, sabe-se lá por quem, dentro de um poço. Debatem calorosamente quem foi capaz de fazer tal atrocidade, por que, se o cão ainda vive, se quer sair de lá e até se não se jogou no poço. Buscam todos os meios de salvar o animal, cada um defendendo sua própria ideia que acham infinitamente melhor que a do outro. Discutem todas as soluções possíveis para tirar o cachorro do poço, até que a noite chega e eles resolvem deixar esse assunto para o dia seguinte, amanhã!

“Estes dois textos tem um humor peculiar e potente e uma humanidade latente, mesmo em sua estranheza e absurdo humor sobre a sociedade”, comenta o diretor Fernando Philbert.

Na encenação de Fernando Philbert essas duas peças se comunicam. Duas peças curtas, dois personagens, dois universos do absurdo. Como é possível existir e não existir, ser e não ser ao mesmo tempo, esse é o embate de Godot. Uma discussão sobre a existência e a decadência da cultura. Na outra história, há uma tentativa do diretor em aproximar os espectadores da discussão entre teorias de dois indivíduos, numa cena plenária que tem início com esses dois personagens nascendo do esgoto.

Entre as duas histórias há um corte “cinematográfico”. A primeira não terminou, ela continua com Godot fazendo sua primeira aparição pública, sua estreia como personagem que finalmente passa a existir e, então, há o corte para apresentar uma outra história, que já acontecia em uma ação anterior, uma ação que o espectador não assistiu, mas vai intuindo ao acompanhar a discussão extremista dos homens nascidos do esgoto.

A solidão desses personagens, nos dois textos, exprime a solidão comum entre nós espectadores dessa contemporaneidade líquida, em que as relações sociais, econômicas e de produção são frágeis, fugazes e maleáveis.

“Eu nunca vi um autor traduzir tanto o que é o mundo, como faz Matéi. É impressionante a capacidade que ele tem de entender o giro do mundo. De escrever uma peça que está sempre se repetindo. Uma peça dele dos anos 80 parece que foi escrita para os dias de hoje”, comenta Fernando Philbert.

Serviço
Sesc Copacabana – Arena (Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana)
Temporada: 30 de março a 23 de abril de 2023, quinta a domingo, às 20h
Classificação: 12 anos

Rota Cult
Rota Cult
Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

Mais Notícias

Nossas Redes

2,459FansGostar
216SeguidoresSeguir
125InscritosInscrever
4.310 Seguidores
Seguir
- Publicidade -