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“FILIPA” recria o julgamento da portuguesa Filipa de Sousa, acusada de “práticas nefandas” 

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“FILIPA”, espetáculo-solo da atriz Waleska Arêas, resgata a trajetória real de Filipa de Sousa (1556-1600), condenada pela Inquisição Portuguesa em 1592 por amar outras mulheres. Viúva, alfabetizada, apaixonada e ousada, Filipa foi humilhada, açoitada e degredada por “pecado nefando” — nome que o Santo Ofício dava ao lesbianismo. 

“Este espetáculo me atravessou em um lugar muito sensível. Ao ler o processo de Filipa de Sousa, fui tomada por um medo antigo e por uma identificação que não consegui afastar. Estar em cena é a minha tentativa de dar corpo a esse encontro, de tocar feridas abertas e de dizer, mesmo com tremor, que existir e amar não deveriam exigir coragem.”, conta a atriz Waleska Arêas.

Mais de quatro séculos depois, sua história ecoa como símbolo da resistência lésbica e da luta LGBTQIAPN+ no Brasil e no mundo. A peça, para além de reverenciar o ícone, quer descobrir quem foi essa mulher por trás do julgamento, dos documentos e cartas de amor. A história de Filipa, depois de mais de 400 anos, ainda diz muito sobre a sociedade contemporânea, onde amar e expressar-se ainda são atos políticos. 

“Encenar a história de Filipa de Sousa hoje é uma urgência, pois nos convoca a refletir sobre violência, poder e apagamentos históricos. Este espetáculo também nasce do encontro com uma equipe dos sonhos, formada em sua maioria por mulheres, cuja presença, escuta e força criativa afirmam, no próprio processo de criação, outras formas possíveis de existir, trabalhar e contar histórias.”, celebra a diretora Maria Clara Guim.

Ao longo da ação, a atriz desenrola novelos de fios coloridos que vão sendo atados em diferentes ângulos às quatro extremidades do palco, mas também abandonados pela cena, como pontas soltas de uma história. A atriz atua com sotaque português ao dar vida à Filipa e seu inquisidor. O sotaque é deixado de lado quando assume o personagem de narradora.

Vinda do Algarve, Portugal, Filipa de Sousa, alfabetizada, fato extraordinário para a época, viajou para Salvador em data desconhecida. Trabalhava como costureira, teve dois maridos e não tinha filhos. Aos 35 anos, foi denunciada por Paula Siqueira, sua amante, numa espécie de delação premiada: pressionada pela descoberta em sua casa do livro “Diana“, de Jorge de Montemayor, proibido pela igreja, sobre as aventuras amorosas de duas pastoras, tornou-se a principal acusadora de Felipa, por assédio sexual e coação. 

Filipa não escondeu do tribunal o seu amor pelas mulheres, afirmando que era natural e sem pecado. Revelou detalhes de seus romances, incluindo Paula Siqueira, com quem se relacionou por mais de três anos. Na época, das 29 mulheres acusadas de lesbianismo na Capitania da Bahia, sete foram julgadas e condenadas, sendo Filipa Sousa a mais severamente punida, apesar de ter sido poupada da pena de morte na fogueira por os “seus actos sexuais não envolverem penetração”. Filipa foi condenada ao açoite, prisão, pagamento de todas as custas e degredo perpétuo, enquanto Paula, sua acusadora, teve pena mais branda, condenada a apenas 6 dias de prisão e ao pagamento de 50 cruzados de multa e algumas penalidades espirituais.

Serviço: De 05 de março  até 27 de março / Local: Teatro Glaucio Gill – Praça Cardeal Arcoverde s/nº, Copacabana / https://funarj.eleventickets.com/#!/home  CLASSIFICAÇÃO: 16 anos

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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