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“Casa Própria”, primeira individual de Ana Hortides, no Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea

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O Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea apresenta a exposição “Casa Própria”, primeira individual de Ana Hortides na instituição. Com curadoria de Pollyana Quintella, a exposição reúne um conjunto de trabalhos produzidos ao longo dos últimos anos de pesquisa da artista, incluindo obras inéditas, e propõe uma reflexão sobre a casa como espaço simbólico, político e afetivo.

A partir de referências diretas à arquitetura do subúrbio carioca, Ana Hortides desenvolve uma investigação plástica que transforma elementos recorrentes da construção civil popular em matéria artística. Cimento, azulejos, pisos e fragmentos cerâmicos aparecem em esculturas, instalações e pinturas que deslocam esses materiais de seu uso funcional, criando estruturas que tensionam noções de permanência, improviso e pertencimento.

Oriunda de Vila Valqueire, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a artista estabelece uma relação direta entre sua trajetória pessoal e os modos de construção presentes nas periferias urbanas. Escadas, lajes, fachadas e platibandas, frequentemente associadas ao trabalho informal e ao saber prático de pedreiros e construtores populares, surgem na exposição como formas autônomas, deslocadas de suas funções originais para se afirmarem como linguagem visual e discurso crítico.

Em “Casa Própria”, Hortides investiga os padrões ornamentais que marcam as fachadas das casas populares brasileiras, especialmente o uso de cacos cerâmicos e pisos coloridos aplicados de forma manual. Essas composições, muitas vezes nomeadas pela artista como “padrão” ou “raios”, compõem um repertório visual que atravessa o cotidiano urbano e ganha densidade poética no espaço expositivo.

“O meu trabalho nasce da observação da construção civil popular brasileira e das fachadas ornamentadas com cacos cerâmicos, entendidas como um repertório visual. As séries transformam esses gestos e materiais cotidianos em escultura, afirmando identidades populares e o valor simbólico dessas arquiteturas que resistem ao tempo”, diz Ana Hortides.

As fachadas, platibandas e terraços dessas construções possuem uma estética única, carregada de significados afetivos, históricos e culturais, expressos nos adornos, desenhos e padrões formados por pisos e cacos cerâmicos coloridos. Essa memória visual e material é diretamente conectada à experiência pessoal de Ana Hortides, cuja família ergueu, com as próprias mãos, a casa onde ainda vivem no subúrbio do Rio de Janeiro. A pesquisa da artista se entrelaça com a tradição da autoconstrução, tão presente nas periferias brasileiras, e com rituais comunitários como “bater laje”, símbolo potente de resistência e pertencimento.

“As platibandas e raios de Ana Hortides inscrevem uma estética que a modernidade brasileira frequentemente tratou com desprezo, classificando-a como kitsch, pastiche ou mau gosto. Sua obra, porém, não se limita a celebrar essa arquitetura de forma nostálgica ou documental. Há uma operação formal sofisticada em jogo. Ao isolar esses elementos e reapresentá-los em escala alterada, com materiais que explicitam sua natureza de fragmento e montagem, a artista os desloca de sua função utilitária e os reinstaura como linguagem plástica. Os trabalhos se tornam quase abstratos, lidos tanto como arquitetura quanto como corpo. São ao seu modo excrescências, apêndices, órgãos que crescem da parede. A casa deixa de ser apenas metáfora do íntimo e passa a se comportar como organismo”, declara Pollyana Quintella.

Serviço:  Período: de 21 de março a 09 de maio / Local: Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea: Edifício Sede da Colônia Juliano Moreira – Estr. Rodrigues Caldas, 3400. Taquara, Rio de Janeiro. / Acessibilidade: audiodescrição e intérpretes de Libras. / Site: https://museubispodorosario.com/

No dia da abertura, a artista realizará uma visita guiada. Além da exposição, “Casa Própria oferece um programa de formação com a artista e pesquisadores. O evento abordará temas como arquitetura popular, arte periférica e protagonismo feminino na produção artística, e ocorrerá durante o lançamento do catálogo. A mostra também conta com audiodescrição das obras e intérpretes de Libras na visita guiada e atividade formativa, garantindo acessibilidade às pessoas com deficiência. 

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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