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Casamento Sangrento: A Viúva traz drama e ação na medida certa

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Tem um quê de acerto quando uma continuação começa exatamente da cena final da produção anterior. Certmamente, passa a ideia de continuidade da maneira mais íntegra possível, mas isso não significa que todas as escolhas em um projeto sigam igualmente acertadas até o fim. Casamento Sangrento: A Viúva é um novo exemplar do gênero (e do cinema de gênero) a seguir essa cartilha interessante, já conectando o espectador ao que precisa ser encontrado mais rapidamente. Com um time vencedor já conhecido, sua sequência segue para expandir o jogo anterior, e daí nasce uma produção que já não conta com a novidade vista anteriormente. Dito isso, o escopo se expande de uma maneira em escala global, atendendo expectativas de fãs espalhados nos quatro cantos do mundo para o que se pretende comunicar. 

Mais uma vez dirigido pela dupla Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett com também o retorno dos roteiristas Guy Busick e R. Christopher Murphy, Casamento Sangrento: A Viúva é o reencontro com uma protagonista que foi reconstruída do início da primeira parte para cá. Grace, uma noiva no dia de seu casamento, vẽ o tal melhor dia de sua vida transformar-se em um pesadelo sem fim compartimentado em uma madrugada. Quando reencontramos a personagem, ela já não é mais a mesma que conhecemos em 2020, ferida física e emocionalmente, algo dentro dela morreu. Essa fala é proferida por Grace em determinado momento, e o que assistimos é exatamente isso: uma mulher cujos sonhos não foram apenas ceifados, mas cuja capacidade de estorno do horror é impossível. Fez-se uma nova mulher, menos confiante e mais cínica. 

Ao contrário de outra estreia dessa semana, Devoradores de Estrelas, Grace está desprovida de qualquer crença que a aproxime de algum outro ser humano sem a certeza de que isso é uma armadilha. Inclusive o reencontro com a irmã Faith está inserido nesse lugar de ressentimento e amargura, exatamente o espaço que a sobrevivência lhe legou. A primeira parte, de pouco mais de 15 minutos, é o que Casamento Sangrento: A Viúva tem de mais refrescante, porque arremessa essa personagem central em uma espiral de incerteza, que começa no hospital para onde ela é levada. Toda a sequência passada ali, talvez pelo inusitado em profusão contínua, acabe por garantir os melhores momentos do filme, porque nada que se mostra é esperado, na seara dramática ou na construção da ação. 

Esse respiro exterior faz muito bem à produção, e a hora seguinte da produção tem a seu favor esse jogo ininterrupto de gato e rato que se alterna entre heroínas e vilões, mas cujas rubricas acabam por remeter diretamente ao filme anterior. Mas com as asas bem mais amplificadas, Casamento Sangrento: A Viúva nos carrega para dentro de uma espécie de máfia satânica em escala infinita, e com isso suas responsabilidades, que poderiam ter consequências ainda maiores, não se mostram tão agigantadas assim. Existe uma forma de realizar que diminui suas opções, e o espectador mais acomodado encontrará refúgio nesse escopo reconhecível. Ainda que fique claro que o filme poderia ter avançado de maneira exponencial no que pretendia mostrar, contar e apresentar, esteticamente. A catarse se compromete com essas possibilidades domadas. 

A favor de Casamento Sangrento: A Viúva, temos um encontro surreal: Sarah Michelle Gellar, uma scream queen das mais queridas em filmes como Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, Shawn Hatosy, do clássico Prova Final, e ninguém menos que David Cronenberg. Sim, o diretor de A Mosca Marcas da Violência tem uma participação importantíssima no filme, e ajuda a trazer mais que relevância a obra. Gellar e Hatosy estão especialmente muito bem, como os bons atores que são, empregando nuances complexas a um casal de irmãos malignos. Na cabeça do elenco, Samara Weaving continua fazendo a diferença em um pathos bem diferente da abertura anterior, categorizando a personagem de uma maneira mais ambivalente. Kathryn Newton (de Freaky) surge como a irmã mais nova de Grace, cujas questões familiares trarão a personagem para um retorno ao que ela perdeu de humanidade. 

Esse equilíbrio de elementos positivos com escorregadelas do percurso em rumo a um time que deveria sim ser mais mexido apesar do jogo ganho, recarregam as energias da produção. Um slasher diferente, onde as pessoas mais explodem do que exatamente são assassinadas, Casamento Sangrento: A Viúva é uma ode ao  entretenimento de terror. Um filme que carrega as baterias para o que pode ser um olhar ainda mais sofisticado ao horror. Sofisticado e diferenciado, onde exista a busca por uma nova roupagem e não apenas a repetição de uma negociação, apenas ampliando o escopo. Diversão com litros de sangue derramado, sendo constantemente jogados no rosto da protagonista? Aqui tem aos montes sim. 

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