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‘À beira-mar, somos muitos’, de Manu Gomez, no Centro Cultural Correios RJ

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O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro recebe a exposição “À beira-mar, somos muitos”, primeira individual da artista Manu Gomez. A mostra, que tem curadoria de Jean Carlos Azuos, reúne 13 pinturas inéditas produzidas entre 2025 e 2026 em diversos formatos, incluindo um mosaico de 2,20 x 3,80m, e uma instalação ao centro da galeria, apresentando um recorte da série “Sonhos dos Invisíveis”, na qual a artista investiga relações entre memória, trabalho e vida coletiva.

Manu Gomez parte de memórias e histórias de sua própria família para construir um conjunto de pinturas que refletem sobre o trabalho e a vida de comunidades ligadas ao mar. Inspirada especialmente nas experiências de seu pai com a pesca submarina em Arraial do Cabo, a artista cria imagens em que pescadores, peixes e cardumes aparecem em movimento coletivo, muitas vezes fundidos em uma mesma cena.

Esses elementos funcionam como metáforas visuais: os cardumes evocam a força do coletivo e as estratégias de sobrevivência construídas em grupo, enquanto a presença constante do mar sugere tanto sustento quanto desafio para aqueles que vivem do trabalho da pesca. “Nesse sentido, cada figura pode ser compreendida como arquivo de trabalho, superfície viva na qual a experiência se inscreve e permanece, evidenciando como o corpo, historicamente reduzido à força produtiva, resiste como memória e como sujeito”, afirma o curador Jean Carlos Azuos.

Ao aproximar corpos humanos e animais em um mesmo fluxo, a artista propõe uma reflexão sobre como as relações de trabalho e de subsistência se organizam em torno da natureza e da vida em comunidade. “A ideia de quantidade vem junto com uma estratégia biológica: agrupar-se para parecer um animal maior do que se é. Ao unir humanos e peixes, proponho também uma reflexão sobre como o sistema nos reduz a commodities, a números — tanto peixes quanto humanos”, justifica Manu Gomez.

Na parede do fundo da galeria, a artista apresenta uma instalação composta por 24 telas organizadas em um grande painel de 2,20 x 3,80m, que ela prefere chamar de quebra-cabeça. A obra funciona como uma imagem fragmentada formada por partes que se conectam e outras que permanecem deslocadas. “Aqui, os cardumes percorrem as telas como pensamento coletivo em movimento e, ao se repetirem de obra em obra, ondulam uma continuidade visual que a montagem acompanha, conduzindo o espectador por um fluxo que evoca a circulação da maré”, diz Azuos.

Algumas pinturas ainda incorporam latas em suas composições. Esses elementos surgem a partir de associações ligadas ao consumo cotidiano e aos alimentos processados, frequentemente presentes em contextos de subsistência e trabalho. Ao inserir esses objetos no campo da pintura, a artista aproxima imagens do universo da pesca, do trabalho e do consumo, ampliando o conjunto de referências que atravessam a exposição.

“À beira-mar, somos muitos” afirma uma multiplicidade que se manifesta nos corpos, nas alegorias e na própria organização estética e narrativa da mostra. A presença, até aqui murmurada, é feita de trabalho e desejo, de corpos que atravessam um tempo incontornável enquanto o horizonte se abre em infinitude”, define o curador.

A exposição “À beira-mar, somos muitos” pode ser visitada de 25 de março a 9 de maio de 2026, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, com entrada gratuita.

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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