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Amplo panorama da trajetória de Rubem Valentim poderá ser visto no MAM Rio

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O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) inaugura a exposição “Rubem Valentim: a ordem do sensível”, dedicada a um dos artistas mais decisivos da arte brasileira do século 20. Desenvolvida em colaboração com o Museu de Arte Moderna da Bahia, em um diálogo institucional que articula acervos e pesquisas de ambas as instituições, a mostra reúne cerca de 180 obras provenientes de coleções públicas e privadas de diferentes regiões do país, ocupando o Salão Monumental com um amplo panorama da trajetória de Rubem Valentim (Salvador, 1922 – São Paulo, 1991), cuja produção se desenvolve ao longo de mais de quatro décadas. A curadoria é de Raquel Barreto e Phelipe Rezende.

Foto: Acervo do Centro de Pesquisa do Masp

Reunindo pinturas, relevos e esculturas, a mostra evidencia a amplitude da produção do artista baiano e a consistência de um pensamento que atravessa diferentes suportes com rigor e coerência. Em cada uma dessas frentes, Valentim constrói uma linguagem singular ao articular geometria, cor e sistemas simbólicos oriundos de matrizes culturais brasileiras, sobretudo afro-brasileiras e indígenas. Ao reorganizar esses elementos em composições rigorosas, consolida um vocabulário próprio, no qual forma e significado se tornam indissociáveis, afirmando uma obra que nasce de um contexto específico e se projeta como experiência estética de alcance universal.

“Valentim constrói sua obra como um sistema em permanente elaboração. Há um trabalho de depuração, em que os elementos são reduzidos, reorganizados e estabilizados até atingirem uma estrutura precisa. Esse processo não é apenas formal, envolve ritmo e sentido, e se desenvolve ao longo do tempo por meio de retornos, variações e sínteses sucessivas”, observa Raquel Barreto, curadora-chefe do MAM Rio.

A exposição está organizada em núcleos que correspondem às cidades que marcaram sua trajetória. O percurso tem início em Salvador, onde desenvolve suas primeiras experiências a partir da observação do cotidiano, da cultura material, dos objetos rituais das religiões de matriz africana e da arte moderna europeia. No Rio de Janeiro, para onde se muda em 1957, sua pesquisa ganha rigor construtivo e densidade simbólica, adotando signos como princípios organizadores. Em Roma, Valentim aprofunda a articulação vertical dos elementos, apontando para uma dimensão totêmica. De volta ao Brasil, fixa-se em Brasília, onde expande sua prática para o campo tridimensional e formula o Alfabeto Kitônico, sistema que sintetiza sua investigação sobre linguagem, cultura e construção. Nos anos finais de sua vida, entre Brasília e São Paulo, amplia seu repertório visual e consolida uma obra de grande potência sintética.

A exposição culmina com a apresentação do Templo de Oxalá, instalação criada em 1977 e exibida originalmente na 14ª Bienal de São Paulo nesse mesmo ano. Composto por estruturas totêmicas dispostas no espaço, o trabalho traduz, em escala ambiental, a linguagem desenvolvida por Valentim ao longo de sua trajetória, instaurando uma experiência imersiva que condensa os principais eixos de sua pesquisa.

Nascido em Salvador, em 1922, Rubem Valentim iniciou sua trajetória nos anos 1940, e desenvolveu uma obra que ocupa lugar central no debate sobre arte, identidade e linguagem no Brasil. Participou de exposições fundamentais no país e no exterior, integrou a delegação brasileira no Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, em Dacar, em 1966, e consolidou uma produção marcada pela capacidade de articular tradição e invenção, rigor construtivo e densidade simbólica.A relação de Valentim com o MAM Rio remonta às décadas de 1960 e 1970, quando participou de exposições coletivas fundamentais para o debate artístico no país. Em 1970, a instituição carioca realizou uma individual com o título 31 objetos emblemáticos e relevos-emblemas. O museu acompanhou momentos importantes de sua trajetória, apresentando conjuntos de obras que já indicavam a expansão de sua pesquisa no espaço. A nova exposição retoma esse vínculo histórico e propõe uma leitura abrangente de sua produção, reafirmando sua relevância no presente.

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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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