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“Hystera” aborda violência obstétrica e propõe diálogo com o público

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A Cia Les Trois Clés estreia no Rio de Janeiro o espetáculo “Hystera”, em curta temporada no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana. Com direção e dramaturgia de Eros P Galvão e apoio da FUNARJ, a montagem parte da história de uma mulher em trabalho de parto — onde cuidado e controle se confundem — para desenvolver uma narrativa visual e sensorial.

Em cena, a personagem é atravessada por memórias e violências, criando figuras híbridas e corpos fragmentados que tensionam questões como autonomia, maternidade e poder. Inspirado na palavra grega hystéra (“útero”), o espetáculo constrói uma dramaturgia imagética que conduz o público por um universo onírico, articulando teatro de animação, linguagem corporal e música. A obra propõe reflexões sobre maternidade, saúde mental e violência de gênero, além de questionar o controle histórico sobre o corpo feminino.

Hystera emerge de uma pesquisa de dois anos, atravessada por investigações sobre corpo, imagem e estados de consciência. Seu primeiro desdobramento cênico surgiu na cena curta “República de Aiag”, apresentada em 2023 no Seminário “Caminhos Junguianos – O corpo em movimento”, na Universidade Federal de São João del-Rei — um contexto em que as relações entre psique, símbolo e gesto operaram como disparadores fundamentais da criação.

Ainda em 2023, o trabalho estreou como espetáculo no Circuito Cultural UFMG, em Belo Horizonte. A escuta sensível do público — marcada por relatos de identificação e reconhecimento — atuou como força propulsora para o aprofundamento da obra, que passou a expandir suas camadas dramatúrgicas e eixos de investigação. Ao longo desse percurso, Hystera se consolidou como uma criação que tensiona os limites entre o íntimo e o político, entre o corpo vivido e o corpo atravessado por dispositivos de controle.

Segundo Eros, a dramaturgia nasce de um impulso presente em sua pesquisa há mais de 20 anos: a construção plástica que emerge dos bonecos e da elaboração visual, em diálogo com a música e com a dança. O trabalho articula o teatro de formas animadas com uma abordagem corporal, situada no limiar entre teatro e dança. A pesquisa ganhou novos contornos a partir da experiência de isolamento durante a pandemia da COVID-19, período em que o contato físico foi abruptamente interrompido, aprofundando as investigações sobre presença e ausência em cena.

A encenação privilegia o gesto como elemento central, em uma escrita que se constrói para além da palavra. Com forte dimensão visual, o espetáculo convida o público a uma experiência sensorial, abrindo espaço para reflexões sobre silenciamentos, abusos de poder e os estigmas associados ao papel da mulher na sociedade. A montagem dialoga com os universos de Margaret Atwood, Mary Shelley e Nise da Silveira, especialmente na construção de imagens e na articulação entre arte e subjetividade.

Serviço: De 9 de abril a 1º de maio, quintas e sextas às 20h / Teatro Gláucio Gill – Praça Cardeal Arcoverde, s/n – Copacabana / Classificação etária: +14 anos

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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