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2DIE4: 24 Horas no Limite: Primeiro filme brasileiro feito para IMAX

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Tudo que circula por 2DIE4: 24 Horas no Limite é da categoria do inédito, e da abertura de precedente para o futuro. O audiovisual escuta há cerca de 1 ano o barulho que os Abdalla Brothers vem fazendo na promoção, divulgação e venda de sua estreia na direção. Os irmãos André e Salomão vem oriundos da publicidade, onde venceram inúmeros prêmios, e partiram desse lugar para conquistar um pódio (êta trocadilho!) entre os aspirantes a cineastas. Aliás, seu primeiro feito é esse produto feito com o intuito de quebrar marcas: o primeiro filme brasileiro produzido para a execução em IMAX, trata-se de um documentário com ares de ficção – ou vice-versa. O resultado certamente deixa de impressionar, e a forma como o espectador vai encontrar tais imagens é a subjetividade do material. 

Como tradicionalmente faria um jornalista e crítico de cinema, a forma de entrar em 2DIE4: 24 Horas no Limite não é a mesma com a qual permanecemos. São muitos anos observando o cinema ser invadido pela publicidade, seja pelos irmãos Ridley e Tony Scott (de, respectivamente, Gladiador Top Gun), David Fincher (A Rede Social) e, no Brasil, Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e Andrucha Waddington (Casa de Areia). Logo, os irmãos têm companhia de qualidade crescente a se espelhar, e uma carreira que, com a dedicação correta, pode em breve encontrar pontos de qualidade inegáveis. Em sua estreia, miraram alto pressentindo que o barulho feito deixariam mudos os seus detratores; a resposta não será unânime, mas o impacto da experiência defendida por eles não pode ser mitigado. 

Vide o fenômeno Michael atualmente nos cinemas, um filme que é vendido pelos fãs como uma experiência emocional, ou o documentário Moonage Daydream, a respeito de David Bowie, uma experiência estética. 2DIE4: 24 Horas no Limite carrega uma experiência sensorial no espectador, em uma proporção que deixa F1 encabulado de vergonha. A proporção do que é feito está na definição crua: uma câmera é acoplada na cabine de pilotagem (no original, cockpit) durante as 24 Horas de Le Mans, um dos desafios mais exaustivos e desgastantes do circuito de corridas e considerada a maior prova de resistência do mundo, sendo o principal evento do Campeonato Mundial Endurance. 

Exposta tal situação logo de cara, é difícil ficar indiferente ao que o filme apresenta em sua moldura. É literalmente um mergulho no que de mais próximo pode existir em envolvimento sinestésico entre a produção no campo da ação propriamente dita e a recepção do público. Para tal, é necessário que a sessão em IMAX lhes faça jus e acometa o espectador da banda sonora equalizada para o filme à perfeição, e o corpo da audiência se deixar levar pela sensação da descarga de adrenalina que é injetado direto na retina de quem assiste, passando pelos tímpanos. Meses depois do diretor Joseph Kosinski prometer algo semelhante, os irmãos diretores mostram como se sobrepõem ao que é produzido em Hollywood com um tiro certeiro na direção da tela. 

Isso não significa que a tal experiência sensorial não seja afetada por um roteiro que busca na narração em off um recurso pobre de compreensão do seu universo. Como protagonista, Felipe Nasr é um dos mais reconhecidos pilotos brasileiros hoje, mas que acaba se mostrando mais uma cobaia dos irmãos. O problema é que seu material, no caso, é o humano, para conexão com os outros que o assistem. Se está na pista respondendo aos estímulos de sua profissão naturalmente, Nasr não se deixa intimidar, e compõe esse personagem (que é a si próprio) com alguma mobilidade. Ao narrar suas próprias frustrações e tentar interagir com quem o circunda, o piloto fragiliza o próprio filme e revela as muitas fragilidades do roteiro. A culpa não é dele, mas dos diretores-autores, que estão mais ligados no que o filme tem de superior, a tal ponto de deixar passar a porção publicitária de seu novo experimento, que não é propaganda. 

Para o bem e para o mal, 2DIE4: 24 Horas no Limite tem esse quadro ambivalente para lidar, e que não tem uma elaboração concreta de seus autores. De um lado, a hipnose provocada por imagens de forte sedução gráfica, um trabalho de som que caminha rente à excelência e uma proposta de imersão em sua estrutura mecânica; do outro, uma dramaturgia amplamente ligada ao universo publicitário que é inerente aos seus criadores, que empobrece a cada nova reflexão do protagonista. O auge dessa construção fica por conta de uma das mais bonitas sequências de 2026: o passeio noturno pela Le Mans, fotografada com maestria, ao som de uma das mais belas canções do pop rock (‘Eyes Without a Face’, de Billy Idol), coloca o espectador para se emocionar com o balé visual entre luzes, árvores, carros e uma estrada sem fim. Esse é o momento que o espectador guarda ao sair da sessão, e que representa toda a experiência em suas contradições. 

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