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“Mamão Papai” estreia no Rio de Janeiro, no Teatro Glaucio Gill

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Partindo da ideia de que é possível haver outras formas de viver como mulher, para além do que é socialmente esperado, Pâmela Côto criou o solo “Mamão Papai”. O projeto estreou em São Paulo, com sucesso de público e crítica, além de indicações a prêmios como melhor atriz e música, destacando-se a indicação de Pâmela Côto ao Prêmio Shell de melhor atriz.

Na trama da peça, que tem colaboração dramatúrgica de Maria Isabel Iorio, uma mulher atravessa memórias eróticas e afetivas, em uma tentativa de reconexão com o pai, depois de anos de silêncio, num reencontro familiar. A protagonista relembra histórias de afetos que são atravessadas por diversas formas de violência, principalmente envolvendo figuras masculinas.

Para a criadora do espetáculo, a personagem está em constante tentativa de ruptura com uma feminilidade padrão, com um papel de gênero tradicional. “Ela traz à tona as suas experiências, como um grande jorro, um confronto, à medida que busca alguma conexão com o pai: que abandona a sua função quando  sua esposa, a mãe, resolve se separar. Ali fica evidenciado o enorme hiato na relação desse homem com a filha”, acrescenta.

Com assistência de direção de Giuliana Maria e preparação de elenco de Felipe Rocha, a direção de Zanini explora no diálogo atriz-platéia essa troca intensa, sem filtros e recheada de dor e humor. “O texto investiga também a violência em sua dimensão menos óbvia: aquela que se manifesta no silêncio. Em contraponto a esse silêncio, a trajetória da protagonista se revela como um percurso turbulento e intenso, cheio de contradições e afetos, que afirma a possibilidade de existir em plenitude — com tudo o que a vida entrega. E  é a partir dessa complexidade infinita que é viver que a montagem percorre essa montanha-russa de sentimentos” conta a diretora.

Além disso, o nome “Mamão Papai” faz também referência a uma árvore e o seu fruto, representando uma narrativa capaz de presentificar os buracos. A ausência paterna provoca uma tentativa de reconstruir os contornos de uma figura masculina borrada, que provoca amor, raiva e sentimento de abandono. Nesse contexto, todas as masculinidades retratadas no solo são alegóricas, simbolizando as situações estruturantes das experiências femininas. E a protagonista não tem nenhum tabu ao se expor para a plateia. 

A  iluminação de Sarah Salgado, o cenário de Celina Lira e o figurino de Andy Lopes, não apenas constroem o espaço concreto onde a protagonista reencontra seus familiares, como configuram esse ‘não-lugar’ onde suas vivências se expandem e se tornam território de delírio. 

Nesse mesmo jogo, a trilha sonora criada por Mini Lamers e as projeções de Julia Ro abrem novas camadas de sensações e memórias, atravessando passado e presente, revelando novas dimensões da história e subjetividade da personagem.  Cada elemento — luz, imagem e som —  compõem esse imaginário que se desenrola até o momento presente, surpreendendo o público com elementos inesperados e transportando-o para o universo íntimo e complexo desta mulher. 

“Mamão Papai” é um solo de autoficção que investiga os vínculos entre prazer, trauma e identidade. Num reencontro familiar, uma mulher atravessa memórias eróticas e afetivas, em uma tentativa de reconexão com o pai, depois de anos de silêncio. Entre humor e vertigem, a peça reflete sobre amor, liberdade, sexualidade e os atravessamentos da masculinidade em uma vida feminina.

SERVIÇO: De 09 de maio a 01 de junho de 2026 / Sábado a segunda, às 20h / TEATRO GLAUCIO GILL Endereço: Praça Cardeal Arcoverde, s/n – Copacabana / Classificação: 16 anos

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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