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Exposição com obras de Vik Muniz reúne mais de 220 obras, de 43 diferentes séries

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O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ) recebe a exposição “Vik Muniz – A Olho Nu”, a maior e mais abrangente retrospectiva do artista Vik Muniz. Com curadoria de Daniel Rangel, “Vik Muniz – A Olho Nu” reúne mais de 220 obras, de 43 diferentes séries, entre fotografias e esculturas. 

No CCBB Rio de Janeiro, “Vik Muniz – A Olho Nu” terá várias novidades, em relação às etapas anteriores do projeto, com aproximadamente mais vinte trabalhos, entre inéditos, restaurados, recriados em novas versões, e novas edições. A mostra no Rio terá seis novas séries, em relação às cidades anteriores: “Principia” (1997–2002) – interativa –, “Verso” (2008/2012), “Veículos Mnemônicos” (2014/2026), “Museu de Cinzas” (2019/2026), “Colônias” (2014-2016) e “Os Arquivos de Weimar” (2004). Além dos inéditos, muitos desses trabalhos foram raramente exibidos no país. 

Será mostrada pela primeira vez no Brasil a escultura “Ferrari Berlinetta” (2014/2026), da série “Veículos Mnemônicos”, vinda da Itália, onde foi produzida em Turim. Com mais de quatro metros de comprimento, e 650 quilos, a obra reproduz, no tamanho de um automóvel real, um carrinho de brinquedo que Vik Muniz tinha na infância.  Instalada em frente à bilheteria da instituição, no térreo, a escultura já dará uma pista para o público de um dos eixos centrais da exposição: a transformação de objetos cotidianos e memórias pessoais em experiências monumentais.

Suspensa na Rotunda, estará uma das cinco obras feitas por Vik Muniz este ano, especialmente para esta exposição. Trata-se de “Tropeognathusmesembrinus” (2026), um gigante pterossauro, feito de polímero infundido com cinzas do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, devastado por um incêndio em 2018, fato que mobilizou Vik Muniz para o levantamento de recursos para sua reconstrução. Da série “Museu de Cinzas”, a escultura, totalmente inédita, vai “pairar” no ar, com seus 8,20 metros de envergadura, calculada de uma ponta à outra das asas, e 2,55 metros de comprimento, e poderá ser vista também por cima a partir do segundo andar. Cobrindo o chão da Rotunda, estará um tapete redondo com dez metros de diâmetro, estampado com a imagem da famosa obra do artista “Medusa Marinara” (1997), em que o mito greco-romano foi desenhado com molho de tomate. A obra original “Medusa Marinara”, impressão em jato de tinta em papel archival, com 1,70 metro de diâmetro, integra a exposição no primeiro andar.

Além disso, integram também a exposição a série “Relicário”, as obras “Herói”,um conjunto com dez esculturas em mármore escuro, que se assemelham a pinos de boliche, “Dardos”, em impressão em jatode tinta em papel archival e dardos; e “O segredo”, escultura em técnica mista, na forma de um sino. A série “Relicário” marca um ponto de inflexão na trajetória de Vik Muniz, e é reconhecida pelo próprio artista como um marco em sua produção: foi a partir dela que a compreensão do objeto como imagem se consolidou. O interesse do artista pela fotografia surgiu durante o processo de documentação das esculturas desta série. Nela, as obras exploram intencionalmente a ambiguidade das matérias-primas: o público tem suas expectativas subvertidas, ao se deparar com objetos reconhecíveis produzidos com materiais inesperados. Essa relação paradoxal entre escultura e matéria confere às esculturas um forte caráter irônico e crítico. É destaque ainda “Família”, da série “Álbum”, um retrato de Vik Muniz na infância, junto de seus pais. 

Para a exposição no CCBB Rio de Janeiro foram restauradas as esculturas em bronze “Nuvem nuvem 1” e “Nuvem 2”, da série “Primeiros Trabalhos”, ambas de 1997, e a escultura “A coisa” (1989), série “Relicário”, em técnica mista. O artista recriou seis esculturas, a partir de seus originais: “Pódio de balanço” (1988/2026), “⁠Museu de pássaros(1990/2026), “Ética quântica (Infância)”, (1989/2026), e “⁠Flying Dutchman” (1991/2026), da série “Primeiros Trabalhos”; “⁠O grande livro” (1990/2026) e “⁠Mala de mármore (2010/2026), da série “Relicário”.  Dois outros trabalhos que entraram na exposição foram as esculturas “Capacete” (1989/2026) e “Fotografia histórica”, novas edições, 1989/2026, da série “Primeiros Trabalhos”.

 “Vik Muniz é um verdadeiro ícone das artes plásticas brasileiras. Sua estética única, marcada pela utilização de materiais inusitados para a construção de imagens sublimes, fez com que se tornasse igualmente querido entre especialistas e visitantes. Receber a maior retrospectiva já feita de um criador tão importante e popular reforça a nossa vocação em trazermos a cultura para perto das pessoas, para que todos sejam inspirados por ela”, comenta Sueli Voltarelli, Gerente Geral do CCBB Rio, acrescentando que “em meio ao surgimento de novas tecnologias, Muniz nos faz refletir sobre o papel da imaginação humana como matéria-prima primordial da arte.”

O curador explica que a exposição “Vik Muniz – A olho nu” “propõe um passeio pela produção do artista, desde suas obras tridimensionais, criadas antes do uso da câmera fotográfica, até suas séries de fotos mais conhecidas e as mais recentes. O recorte apresentado inclui esculturas, objetos e mais de uma centena de fotografias nas quais deslocamento de funções e reconfigurações de objetos do mundo estão evidentes e servem como fio condutor da seleção”. 

Único filho de mãe mineira e pai cearense, Vik Muniz nasceu em São Paulo, em 1961. Seu pai trabalhava como garçom, e não poupou esforços para apoiar o talento do filho. Aos 22 anos, apenas com o dinheiro da passagem e muita vontade de perseguir seu sonho de ser artista, Vik Muniz foi para Nova York, onde passou a trabalhar e a ser reconhecido, e onde mantém casa e ateliê. O artista também tem casa e ateliê em Salvador, mas é no Rio onde fica baseado, e para onde trouxe seus pais para morarem perto. Seu pai faleceu em maio do ano passado, e esta retrospectiva é dedicada a ele. 

Apesar de ser um viajante inveterado mundo afora, onde suas obras pertencem às mais prestigiosas coleções – Centre Georges Pompidou, Paris; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri; Museum of Contemporary Art, Tóquio; Solomon R. Guggenheim Museum, e Museum of American Art, em Nova York, Estados Unidos; e Tate Gallery, Londres, para mencionar apenas algumas – Vik Muniz se mantém apaixonado pela cultura popular, por suas origens. Sobre este aspecto da exposição “Vik Muniz – A Olho Nu”, o curador Daniel Rangel comenta: “Esse conjunto aproxima a produção de Vik do universo (pop)ular – seja pela utilização de elementos do cotidiano, pela forma como os organiza ou pelas imagens que produz. Uma amálgama de temas, cores e materiais que pode ser observada em feiras livres, nas ruas e calçadas, nos bairros e festas populares, nas gambiarras, nos filmes da televisão e na liberdade das composições.” 

Outro aspecto bastante relevante da mostra no CCBB Rio de Janeiro é o envolvimento e o entusiasmo de Vik Munizpelo projeto, que permite com que o artista possa ver reunida obras que abrangem o arco cronológico de sua trajetória. E, principalmente, o de estarem juntas não apenas as fotografias que o tornaram mundialmente famoso, mas também as esculturas e objetos, com que começou sua produção. Este fato empolgou de tal forma o artista que fez com que ele se dedicasse não apenas a criar novas obras, como a realizar ideias que por alguma razão não havia podido concretizar antes. É o caso das inéditas “O segredo”, “Herói” e “Dardos”. 

Serviço: 20 de maio de 2026 a 7 de setembro de 2026 / Rua Primeiro de Março, 66, Centro / Entrada gratuita, com retirada na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura 

Rota Cult
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Redação do site E-mail: contato@rotacult.com.br

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